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O gado mexicano chegou mais pesado nos EUA

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Os primeiros lotes de gado que atravessaram a fronteira do México com os Estados Unidos surpreenderam positivamente. Os animais estão chegando aos confinamentos americanos mais pesados do que o habitual, o que deve contribuir com os abates a partir de março.

Fontes que trabalham na indústria americana disseram ao The AgriBiz que os primeiros lotes de gado chegaram aos confinamentos com um peso médio de 328 quilos por cabeça.

Trata-se de um peso substancialmente acima do intervalo entre 220 quilos e 250 quilos que costumava ser usual antes da proibição das importações do gado mexicano pelos EUA — a barreira sanitária, que foi imposta para evitar a introdução da bicheira-do-Novo Mundo, começou a ser flexibilizada em 24 de agosto.

A oferta de gado do México deve ajudar na recuperação das margens da indústria americana de carne bovina, beneficiando companhias brasileiras como a MBRF — dona da National Beef, quarta maior indústria de carne bovina dos Estados Unidos —, e a JBS, líder do mercado americano.

Estima-se que o gado nascido e recriado no México possa representar 5% dos abates anuais nos Estados Unidos, o que significa uma oferta de pelo menos 1,2 milhão de bovinos adicionais em 2027.

Aos poucos, os analistas vêm revisando as estimativas para a margem da indústria americana da carne bovina, um movimento ajudado pela liberação das importações do México e pelo fechamento de frigoríficos da Tyson Foods.

Na semana passada, o J.P. Morgan soltou um relatório ressaltando a melhora de margem prevista para a National Beef. Nas contas dos analistas Lucas Ferreira, Larissa Perez e Froylan Mendez, o negócio de carne bovina da MBRF nos EUA deve ter uma margem Ebitda de 1,5% em 2027, uma melhora significativa ante os 0,5% do primeiro semestre.

Em entrevista recente ao The AgriBiz, o CEO da JBS USA, Wesley Batista Filho, disse que a liberação do gado mexicano resolve o “a parte mais aguda” do problema de margens enfrentado pela indústria de carne bovina nos Estados Unidos.

O executivo também já havia sinalizado aos analistas, durante uma teleconferência realizada 11 de agosto, que esperava que o gado chegasse do México mais pesado, o que permitiria normalizar os abates até o segundo trimestre. Os dados dos primeiros lotes confirmam o cenário.



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