Uma nova modalidade de Fiagro está ganhando popularidade entre as gestoras dos grandes bancos: os fundos de tesouraria com ativos do agronegócio. Depois que o Itaú abriu a porteira ao lançar uma oferta de Fiagro de quase R$ 5 bilhões, agora foi a vez do BTG Pactual.
O banco de André Esteves praticamente dobrou a aposta, com uma oferta de um Fiagro de R$ 10 bilhões.
Assim como no fundo do Itaú, o megafundo do BTG é dividido em cotas sênior e subordinadas, almejando uma rentabilidade acima de 90% do CDI para quem aplicar seus recursos por lá.
Em uma mensagem a investidores, o BTG comparou o investimento a um CDB com liquidez diária. Para o investidor, a vantagem é a isenção de imposto de renda. Com isso, o banco reduz o custo de funding.
No caso do Fiagro do BTG, os recursos poderão ser aplicados por investidores profissionais (com ao menos R$ 10 milhões em aplicações) em duas opções.
Em uma das subclasses, o investidor terá liquidez diária, com a recompra garantida na curva pelo BTG, sendo remunerado a 92% do CDI, contando com amortizações do nono ao 11º ano.
A segunda subclasse terá prazo de 10 anos, com amortização única, remunerando os investidores a 97% do CDI, sem recompra garantida. No entanto, o banco dará a opção de saída aos investidores que desejaram via mercado secundário.
A subordinação (uma primeira camada de proteção contra perdas) será subscrita pelo próprio BTG e será equivalente a 1% do fundo.
O fundo poderá comprar uma miríade de títulos ligados ao agronegócio, incluindo direitos creditórios, mas também cotas de fundos e até mesmo participações societárias em empresas. Não há limites explícitos por modalidade, emissor ou devedor.
O BTG é dono da Engelhart CTG, uma trading agrícola de porte razoável que certamente facilita a originação de lastro para o banco compor o portfólio do novo Fiagro.
Ao levantar capital por meio de um Fiagro, o banco consegue acessar um funding mais barato sem as restrições de CRAs e CDCAs, títulos que foram usados pelo BTG para os mesmos fins antes das restrições impostas pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), em 2024.




