Chegamos em setembro, mês caracterizado pelo início da primavera e pelo aumento da incidência de tempestades. A próxima estação começa no dia 22, às 21h05 de Brasília. Já as tempestades têm acontecido desde maio, quando a atmosfera começou a sentir os efeitos do fenômeno El Niño e do Atlântico mais aquecido que o normal.
Se no inverno já estamos registrando chuva, a tendência para setembro é que a precipitação seja ainda mais intensa e espalhada pelo Brasil.
Os maiores acumulados devem se concentrar na região Sul, por conta do El Niño, mas a chuva acima da média também será percebida no Sudeste e em partes do Centro-Oeste e Nordeste. Apenas a região Norte terá chuva entre a média e abaixo da média.
Com mais chuva, a temperatura oscila mais. Com isso, não teremos ondas de calor persistentes na maior parte do Brasil. Ainda viveremos dias com mais de 30°C e quedas repentinas de temperatura no Sul e Sudeste. Apenas no Norte e em partes do Centro-Oeste e Norte, o calor será mais persistente.
As chuvas do Sul
No Sul, espera-se muita chuva acompanhada de trovoadas, rajadas de vento e queda de granizo. De uma forma geral, os estados do Paraná, Santa Catarina e a parte norte do Rio Grande do Sul receberão acumulados entre uma vez e meia a duas vezes o normal para o mês de setembro, situação que manterá o alerta para transtornos como transbordamentos e deslizamentos de encosta.
No campo, o plantio de soja no Paraná e de milho no Rio Grande do Sul avançará mais lentamente que o normal. Na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, a expectativa é que a chuva não seja tão intensa e frequente, permitindo o avanço do preparo do solo para o plantio de arroz.
No curto prazo, além da chuva, o alerta vai para o frio. No feriado de Independência do Brasil, há potencial para geadas na Serra Geral e Campanha Gaúcha.
Sudeste e Centro-Oeste
No Sudeste e no Centro-Oeste, a expectativa para setembro é de chuva acima da média, acompanhada de trovoadas, rajadas de vento e queda de granizo.
Não devemos ver uma quantidade de água tão elevada como no Sul, mas os acumulados devem atingir o dobro da média em São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, sul de Minas Gerais e de Mato Grosso, além do sudoeste e leste de Goiás.
Com a precipitação, a florada do café deve acontecer de forma mais precoce, enquanto a colheita da cana-de-açúcar avançará mais lentamente que o desejável pelas usinas.
Além disso, a precipitação deve ser suficiente para o início do plantio da soja em Mato Grosso do Sul e sudoeste de Goiás. Em Mato Grosso, após 15 de setembro, os agricultores devem encontrar condições favoráveis ao plantio no oeste do estado, principalmente na região do Parecis, e na região de Rondonópolis, Primavera do Leste e Campo Verde.
Não há previsão de geadas, mas a temperatura oscilará bastante entre dias frios e de muito calor ao longo do mês nas duas regiões.
Norte e Nordeste
No Norte, espera-se chuva abaixo da média e muito calor, algo que aumentará ainda mais a incidência de queimadas em todos os estados. Além disso, o baixo nível dos rios exige que navios cargueiros recebam menos mercadorias, sob o risco de encalhe.
No Nordeste, há previsão de chuva acima da média e ventos fortes. No entanto, a precipitação acumulada não ficará muito acima da média em partes da Bahia, do Ceará e do Piauí, além do interior de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. A chuva vem acompanhada de ventos fortes.
Por outro lado, chove menos que o normal no Maranhão, em Alagoas e Sergipe. Nos dois últimos estados, a precipitação inferior ao normal permite um início antecipado da colheita da cana, caso as lavouras já estejam em condições.
Celso Oliveira é especialista em tempo e clima da Tempo OK. Atua há mais de 20 anos de atuação em análises climáticas para a agricultura.




