Uma tecnologia desenvolvida no Brasil para aumentar o aproveitamento de minerais na alimentação animal ganhou escala industrial no norte do Paraná. A estrutura amplia a produção de um aditivo destinado principalmente à avicultura, com a proposta de reduzir a inclusão de fontes de fosfato nas rações.
Segundo a empresa, o produto melhora a absorção e a retenção de cálcio e fósforo pelas aves, aumentando o aproveitamento dos minerais fornecidos na dieta. A tecnologia utiliza óleos vegetais como matéria-prima e substitui uma molécula de origem fóssil por uma alternativa renovável.
“Ele aumenta a absorção e a retenção do mineral. Com isso, o animal se torna mais eficiente para utilizar esse mineral e crescer, demandando menos fonte de fósforo na dieta”, afirma Luis Angreguetto, pesquisador da GFS e Ph.D. em Ciência Animal.
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Redução no uso de fosfato
De acordo com estimativas da GFS, cada quilo do aditivo pode evitar a retirada de quase 8 quilos de fosfato da natureza. A empresa também calcula que, para cada tonelada de fosfato que deixa de ser produzida, mais de uma tonelada de CO₂ deixa de ser emitida.
A tecnologia também apresenta potencial de redução de custos. Estudos conduzidos pela empresa indicam uma economia entre R$ 20 e R$ 30 por tonelada de ração.
Para Douglas da Silva, gerente de integração de aves da Copacol, a utilização do aditivo está relacionada ao melhor aproveitamento dos nutrientes. “Poupando alguns nutrientes, melhorando a absorção de outros, trazendo eficiência para todo o processo”, afirma.
Capacidade industrial
Com a nova unidade, a capacidade de produção do aditivo passa de 500 para 4.500 toneladas por mês. As soluções desenvolvidas pela empresa já são comercializadas no Brasil e exportadas para o Chile e países da Ásia.
A localização de Apucarana também foi escolhida pela proximidade com importantes polos de produção de carnes e consumo de ração das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Segundo o prefeito Rodolfo Mota, a cidade está inserida em uma rota estratégica para o escoamento da produção. “Apucarana é um hub logístico entre São Paulo, Mato Grosso do Sul e o Porto de Paranaguá. Duas rodovias importantes do estado chegam e se encontram em Apucarana para descer até Curitiba e também ao Porto”, afirma.
De acordo com Fernando Blini, CEO da GFS, a tecnologia está em processo de registro na Europa e nas Américas. A empresa trabalha inicialmente com os mercados mexicano e norte-americano e prevê ampliar a presença internacional nos próximos anos.
Solução também chega à suinocultura
Na suinocultura, a GFS trabalha com fibras naturais produzidas a partir de pinos de reflorestamento. Segundo a empresa, o ingrediente auxilia o funcionamento intestinal e contribui para o aproveitamento dos nutrientes da ração.
A solução também é acompanhada por ações de fiscalização sanitária. Celília Tomás Aquino, chefe regional da Adapar, destaca o acompanhamento das propriedades que utilizam os produtos.
“A gente faz a fiscalização in loco das granjas de suínos e de aves que vão receber esse produto. Então, a gente vai conseguir perceber todo o processo de sustentabilidade, inovação, pesquisa e alimento seguro lá in loco, na alimentação dos animais”, afirma.
Com a nova estrutura, a capacidade de produção das fibras chega a 1,6 mil toneladas por mês.
O mercado potencial é amplo. Em 2025, a avicultura de corte e postura consumiu mais de 45 milhões de toneladas de ração no Brasil, enquanto a suinocultura ultrapassou 22 milhões de toneladas.
Para Almir Gnoatto, superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná, o desenvolvimento de tecnologias nacionais também contribui para ampliar a autonomia da cadeia produtiva. “Não é só produzir o frango, a soja, o suíno, mas também ter esse olhar de como criar tecnologias sob o nosso domínio, para que sejamos cada vez mais autossuficientes nisso”, afirma.
Fonte: Canal Rural




