A Vale conseguiu recuperar US$ 1,65 milhão aos seus cofres, utilizando uma inteligência artificial voltada à contagem de bens e impostos da companhia. A inovação, criada com auxílio da plataforma da Databricks pela equipe de Finanças da mineradora, foi desenvolvida em apenas cinco dias para resolver três questões:
- Capitalização de ativos: processo que deprecia um ativo e reduz o imposto de renda incidente, cuja a análise humana podia levar até 30 meses;
- Levantamento de atos tributários: mudanças nas leis tributárias são recorrentes e a equipe precisava ler diariamente o Diário Oficial da União (DOU) para acompanhá-los e verificar se afetavam a companhia;
- Análise de apólices de seguro: a Vale possui em torno de 400 documentos do gênero, com algo em torno de 100 páginas. Saber o andamento dos contratos e o que estava coberto demandava tempo.
A tecnologia é capaz de analisar 300 mil itens em apenas um minuto e trouxe uma redução de 80% na análise de documentos, regulamentações e aplicações. Outro exemplo de aplicação de IA, citado por Alexandre Pigatti, head of AI da Vale, é na logística marinha. A empresa criou um sistema inteligente que monitora o trajeto dos navios que saem do Brasil rumo à China para a entrega de minérios.
A inovação traça rotas otimizadas, baseando-se nas condições climáticas e nas ondas de mar, e sugere a velocidade ideal do navio. Toda a análise é compartilhada com o comandante da embarcação. Graças a isso, a empresa não só economizou US$ 66 milhões em combustível em 2025, como conseguiu aumentar a precisão da data de chegada em 15%.
O projeto faz parte de uma iniciativa da Vale chamada Tech 4 All, que conta com mais de 1 mil unidades ativas em fábricas e minas da companhia. Ela foi desenvolvida para que 19 áreas de negócio, chamadas de franquias, pudessem acessar a ferramenta da Databricks e desenvolver seus próprios LLMs. O acesso só é permitido mediante assinatura de termo de compromisso, em que são designadas as responsabilidades da franquia e da empresa. Em casos em que a ferramenta pode ser escalada para toda a Vale, com garantia de benefícios, ela passa a ser gerida pela companhia em si.
Alexandre Pigatti, head of AI da Vale, afirmou que antes qualquer pedido de informação ou relatório dependia exclusivamente da área de TI, que poderia levar até três semanas para atender à demanda. Com o programa, a equipe passou a ser responsável apenas pela segurança e pelos custos da iniciativa. De acordo com Pigatti, o modelo já gerou US$ 2,5 bilhões em benefícios para a empresa.
Como próximos passos, a empresa quer treinar mais 5 mil funcionários para utilizar a plataforma e disponibilizar outras 1 mil bases de dados para consulta. Além disso, a Vale deseja dobrar o uso de IA na rotina de trabalho.
Alexandre Pigatti, head of AI da Vale, no Data + AI World Tour, realizado em São Paulo. Divulgação/ZZ Foto e Vídeo/Databricks




