Bloomberg — Os credores da Braskem (BRKM5) estão exigindo que os acionistas controladores da empresa injetem US$ 3 bilhões em capital novo, segundo pessoas a par do assunto ouvidas pela Bloomberg News. O movimento é um sinal das crescentes tensões nas negociações para reestruturar cerca de US$ 11 bilhões em dívidas.
Um grupo de detentores de títulos solicitou aos acionistas controladores, a Petrobras (PETR3/PETR4) e o IG4 Capital Group, que assumissem um compromisso firme de injetar capital na empresa petroquímica em dificuldades, afirmaram as fontes, que pediram para não serem identificadas ao discutir detalhes confidenciais.
Os credores não se comprometeria a injetar dinheiro novo, acrescentaram as fontes.
Os detentores de títulos rejeitaram um plano de reestruturação apresentado pela Braskem que continha uma redação mais vaga em relação à injeção de capital, afirmaram fontes a par do assunto na semana passada.
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A empresa havia solicitado aos credores que disponibilizassem US$ 2 bilhões, dos quais cerca de US$ 1,25 bilhão seria utilizado para recomprar a dívida existente a até 50% do valor nominal, enquanto os US$ 750 milhões restantes seriam destinados ao capital de giro.
A proposta dos credores não foi bem recebida pela empresa, acrescentaram as fontes. Ambos os lados continuam distantes de chegar a uma solução para um plano de reestruturação extrajudicial, com uma diferença tão grande que a possibilidade de um pedido de recuperação judicial voltou a ocupar destaque nas discussões, acrescentaram.
A Petrobras, tem se envolvido cada vez mais nas negociações — e, embora queira evitar que a Braskem entre com pedido de falência, até o momento não se mostrou disposta a fornecer o tipo de compromisso de capital executável buscado pelos credores, afirmaram na semana passada fontes familiarizadas com o assunto.
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A Braskem afirmou que continua comprometida em encontrar uma solução consensual para sua reestruturação, recusando-se a fazer mais comentários. A IG4 se recusou a comentar. A Petrobras não respondeu a uma mensagem solicitando comentários.
A Braskem, maior produtora de petroquímicos da América Latina, vem passando por anos de turbulência, com a redução de seu caixa após um desastre ambiental em uma de suas minas de sal e um longo período de preços baixos no setor petroquímico. Várias tentativas frustradas do conglomerado em dificuldades Novonor de vender sua participação controladora agravaram ainda mais a situação.
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A empresa solicitou uma medida cautelar de emergência em junho, ganhando tempo para obter apoio suficiente dos credores a fim de chegar a um acordo sobre uma renegociação extrajudicial da dívida. Em agosto, ela entrou com um pedido de recuperação extrajudicial, tornando-se a mais recente empresa brasileira a ser forçada a reestruturar suas dívidas.
As partes têm até 9 de outubro para chegar a um acordo sobre uma proposta preliminar — um prazo particularmente significativo, pois ocorre no meio do período eleitoral no Brasil e pode determinar se as negociações continuarão ou se a empresa se aproximará de um processo de falência, uma questão delicada tendo em vista que a estatal Petrobras é uma de suas acionistas.
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A Braskem tem até o final de novembro para apresentar um plano definitivo com o apoio de mais da metade de seus credores e evitar a abertura de um processo de recuperação judicial.
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