Bloomberg Línea — A Tivit, multinacional de origem brasileira de tecnologia controlada pelo grupo italiano Almaviva, está estruturando uma ofensiva de M&A de R$ 1 bilhão para acelerar sua expansão na América Latina.
A companhia pretende adquirir empresas de software e hardware proprietários para construir plataformas especializadas em setores verticais e consolidar sua oferta de serviços digitais na região.
O movimento ocorre após um ciclo de integração com o Grupo Almaviva, que adquiriu a Tivit em agosto de 2025. O conglomerado italiano injetou mais de R$ 6 bilhões em operações globais de M&A nos últimos dois anos, destinando cerca de metade desse montante para a América Latina.
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De acordo com os relatórios anuais do grupo, a receita oriunda da América Latina cresceu significativamente entre 2024 e 2025, passando de € 353,5 milhões para € 492,5 milhões. No período, a participação na receita global total avançou de 28% para 31,5%.
Agora, a Tivit passa a financiar sua própria tese de consolidação regional com geração de caixa própria. No ano passado, a companhia registrou uma receita líquida de R$ 2,2 bilhões, o que representa um crescimento de 12% sobre o resultado anterior. Em torno de 30% provêm de países hispânicos.
A estratégia para os M&As prioriza alvos com faturamento anual entre R$ 20 milhões e R$ 200 milhões, embora a empresa demonstre flexibilidade para ativos menores com produtos maduros ou companhias de maior porte.
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Os investimentos estão divididos em seis verticais da economia — Governo (com foco em Segurança Pública e Defesa), Mercado Financeiro, Transportes, Manufatura, Saúde e Utilities — e duas frentes horizontais: Inteligência Artificial e Segurança Cibernética.
Nos últimos três meses, a Tivit colocou em prática mapeamento no mercado latino-americano, quando analisou 620 empresas, abordou 308 e manteve conversas com 75 potenciais alvos. Deste universo, 15 oportunidades avançaram para a etapa de aprofundamento e auditoria técnica.
“Nós olhamos muito para o produto versus a realidade daquela vertical e avaliamos o nível de maturidade para uma jornada de escalabilidade”, afirmou Mitri Britto, diretor de estratégia, M&A e marketing da companhia, em entrevista à Bloomberg Línea.
“Se for uma empresa com tamanho entre R$ 20 e R$ 200 milhões, naturalmente esperamos uma rentabilidade, o que comprovaria a capacidade do produto em gerar valor agregado para o cliente”, completou.
A próxima fase
A manutenção à frente dos negócios também é outro atributo antes de bater o martelo, de acordo com Britto. A definição do modelo da aquisição, entre 100% e controle majoritário e earn-outs deve ser analisada caso a caso.
As 15 oportunidades que chegaram à fase de análise detalhada estão pulverizadas entre as oito frentes mapeadas pela companhia. Atualmente, os alvos passam por uma validação técnica liderada pela equipe global de tecnologia da Almaviva.
Embora o programa não imponha uma meta de execução para 2026, a expectativa é que os primeiros fechamentos ocorram no início de 2027. O volume de R$ 1 bilhão é tratado como uma referência inicial e contínua, podendo ser expandido caso surjam oportunidades de maior porte no pipeline.
“O programa não se limita a R$ 1 bi. Se encontrarmos empresas maiores que façam sentido para a gente, temos capacidade de investimento para adquirir um cheque maior”, disse.
O executivo ressalta que o plano é autofinanciado pela operação local, sem alocação do grupo Almaviva ou captação de dívida. “É a geração de caixa da própria Tivit”, complementou.
Para este ano, a Tivit espera manter o ritmo de crescimento na casa dos dois dígitos, patamar que tem sido impulsionado pela maior demanda por serviços ligados à transformação digital e à cibersegurança.
Em entrevista recente à Bloomberg Línea, Valdinei Cornatione, CEO da Tivit para o Brasil, afirmou que parte da expansão vem da adição de novos clientes relevantes e de uma expansão do cross-sell – isto é, a venda de novos serviços para os clientes que já são da base. A empresa encerrou o ano com mais de 800 clientes, incluindo cem novos logos.




