Bloomberg Línea — A Whoosh vai injetar mais R$ 100 milhões na operação brasileira até dezembro, em uma aposta para dobrar o número de cidades atendidas.
O valor se soma aos R$ 340 milhões que a empresa afirma ter investido desde a chegada da empresa ao Brasil, em junho de 2023, quando desembarcou por Florianópolis antes de expandir para Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Campos do Jordão (SP) e, mais recentemente, Curitiba.
“Nós já temos definido hoje um aporte de mais R$ 100 milhões para dobrar de tamanho até o final do ano”, afirma Cadu Souza, diretor de operações e líder da Whoosh no Brasil, em entrevista à Bloomberg Línea.
A plataforma pretende sair de sete para 15 cidades e chegar a 20 mil patinetes em dezembro, o dobro da frota atual.
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Segundo ele, os R$ 340 milhões anteriores cobrem as cinco primeiras praças — Recife, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Florianópolis. Campos do Jordão e Curitiba entram no novo ciclo de investimento. Os recursos vêm de uma combinação entre a matriz global e a operação brasileira.
Trazida ao Brasil por Francisco Forbes, sócio e hoje presidente da Prodam (Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo), a Whoosh é uma empresa de origem russa presente em mais de 60 cidades com 320 mil patinetes.
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No Brasil, a plataforma soma cerca de 1,8 milhão de usuários, que usam os veículos elétricos em percursos médios de dois quilômetros, em deslocamentos em regiões com escritórios, comércio e integração com o transporte público.
A nova onda dos patinetes, que ainda com nomes como a Jet, com 40 mil patinetes em operação, mudou o foco do lazer para a micromobilidade.
Na primeira, que coincidiu com os períodos pré e pós-pandemia, marcas como a americana Lime e a Grow, resultado da fusão entre a brasileira Yellow e a mexicana Grin, sucumbiram após um momento de hype.
“O nosso negócio é um de transporte, de recorrência”, disse Souza, citando o incentivo a assinaturas anuais e mensais como o formato mais vantajoso de uso, à frente de pacotes de minutos e do uso avulso.
A empresa também negocia com prefeituras de cidades como o Rio de Janeiro a integração da oferta dos patinetes nos cartões de mobilidade urbana.
Regionalização e expansão da Whoosh
Até pouco tempo, a Whoosh só havia entrado em capitais. Campos do Jordão foi usada como teste para uma estratégia de crescimento que passa a incluir cidades no entorno das operações principais.
No radar, estão municípios de regiões metropolitanas onde a plataforma já atua, como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
A iniciativa, segundo Souza, pode elevar o ritmo ao crescimento do negócio. Até aqui, a abertura de uma nova capital estava condicionada à sustentabilidade da operação anterior.
De acordo com o executivo, a Whoosh opera no positivo em todas as praças – com exceção de Campos do Jordão e Curitiba, recém-abertas
“Nós não abrimos uma nova cidade enquanto não temos as operações anteriores equilibradas e dentro dos nossos parâmetros de margens e resultados que a empresa busca”, afirmou. “Uma das premissas é exatamente o desenvolvimento gradual do negócio no país, e não abrir um monte de cidades de uma vez.”
Entre as capitais, o Centro-Oeste é percebido como foco da próxima onda da expansão, onde a companhia tem feito conversas. O executivo não revelou qual deve ser o próximo destino, mas Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, e Goiânia, em Goiás, estão entre as candidatas.
A definição sobre os novos municípios depende de uma conjunção de fatores. Entre os critérios, entram desde a realidade sócio-econômica a extensão de ciclovias, índice pluviométrico e relevo, além do interesse da cidade em receber a operação
“Cidades que chovem muito não fazem muito sentido para nós. Também tem a questão geográfica de cidades muito acidentadas, com muitas montanhas — isso também dificulta demais a operação dos patinetes”, disse. De acordo com Souza, a Whoosh recebeu pedidos de mais 40 municípios para o início de operações.
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Vandalismo de patinete
O crescimento desorganizado da primeira onda, marcado por falta de regulamentação, é lembrado por episódios caóticos, com roubos de equipamentos, acidentes, usos indevidos e patinetes largados em qualquer canto.
O quadro mudou, segundo Souza, mas, em cada cidade em plataforma chega, há o que ele chama de “curva de curiosidade”.
“É muito comum numa cidade nova nós termos índices de vandalismo. Pessoas que tentam mexer, roubar e quebrar. Depois dos três meses iniciais, a situação é estabilizada”, conta. “Só que o nosso patinete tem muita tecnologia avançada embarcada e conversa com a gente o tempo todo. Os números baixíssimos de perda de patinete.”




