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Qual será a próxima “caneta emagrecedora” para o varejo farmacêutico?

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Os medicamentos à base de GLP-1, voltados para obesidade e diabetes, se tornaram um sucesso no varejo farmacêutico, levando o BTG Pactual a investigar quais categorias podem ser as próximas “canetas emagrecedoras” do setor.

O relatório destaca que áreas como diabetes, obesidade, imunologia e oncologia continuarão a ser fontes de crescimento até 2030, mesmo com a expiração de patentes. A

“Obesidade 2.0”, com medicamentos orais e terapias combinadas, é vista como uma grande oportunidade, assim como a medicina cardiovascular, com inovações como Lipfendra e Baxfendy.

Outras categorias promissoras incluem imunologia, Alzheimer e oncologia, embora muitas não passem pelo varejo tradicional.

O BTG sugere que o sucesso dos GLP-1 é difícil de replicar, mas o setor deve migrar para terapias de maior valor agregado, com foco em medicamentos orais e vacinas como oportunidades para farmácias.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Voltados ao tratamento da obesidade e da diabetes, os medicamentos à base de GLP-1 se tornaram uma febre entre os consumidores nos últimos anos – e um blockbuster de vendas para a indústria farmacêutica e as farmácias.

É a partir desse fenômeno que um novo relatório enviado a clientes pelo BTG Pactual faz uma análise mais ampla tentando responder a uma pergunta: quais categorias de medicamentos podem ser as próximas “canetas emagrecedoras” e liderar uma nova onda de crescimento do varejo do setor?

Com essa premissa, o banco observa que o que transformou os tratamentos baseados em GLP-1 excepcionalmente poderosos não foi apenas o fato deles terem se tornado medicamentos de grande sucesso.

“Eles combinaram uma população-alvo muito ampla, tratamento crônico, preços unitários elevados, rápida expansão de indicações e distribuição através do canal de varejo farmacêutico”, escrevem os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon.

Para começar a responder a essa questão, o trio recorre a dados da IQVIA. Segundo a consultoria, áreas como diabetes e obesidade, imunologia e oncologia seguirão sendo as maiores fontes de crescimento dos gastos farmacêuticos globais até 2030.

Essa visão se sustenta mesmo com uma onda de expiração de patentes que pode eliminar quase US$ 200 bilhões em vendas de medicamentos de marca no período. Assim, a estimativa é de que a categoria de obesidade, por exemplo, siga como uma oportunidade de US$ 100 bilhões a US$ 150 bilhões até lá.

“No entanto, um ponto importante para o varejo é que muitos futuros blockbusters farmacêuticos serão administrados por infusão em hospitais ou em clínicas especializadas e, portanto, nunca gerarão o aumento nas vendas do varejo que os GLP-1 proporcionaram”, alerta o banco.

Sob essa ótica, o BTG elegeu as categorias que merecem maior atenção. E quem dá a partida nessa lista é o que o banco chama de “Obesidade 2.0”, com a próxima onda impulsionada por medicamentos orais, terapias combinadas, maior eficácia e intervalos de dosagem mais longos.

Na visão dos analistas, a terapia oral pode ser particularmente relevante para as farmácias. Eles citam, por exemplo, que a versão oral do Wegovy, da Novo Nordisk, já responde por cerca de um terço das prescrições para obesidade nos EUA e gerou US$ 843 milhões no primeiro semestre de 2026.

“A implicação é relevante: em vez de o crescimento dos GLP-1 simplesmente perder força, à medida que os preços da semaglutida caem, o mercado endereçável pode se expandir graças a preços mais baixos, comprimidos e indicações adicionais”, diz um dos trechos do relatório.

À parte desse favoritismo, o BTG entende que a medicina cardiovascular é uma das candidatas com mais fôlego nessa corrida para se consolidar como uma nova opção para o varejo farmacêutico similar ao boom do GLP-1.

O banco chama a atenção para o volume substancial de pacientes nessa área, embora o segmento seja historicamente dominado por remédios genéricos de baixo custo. Entretanto, os analistas afirmam que duas inovações em desenvolvimento de medicamentos orais estão mudando esse cenário.

A primeira é o Lipfendra, da Merck, aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) em julho deste ano. E, a segunda, o Baxfendy, da AstraZeneca, que recebeu o aval da agência federal dos EUA em maio.
Os analistas frisam que não há garantia de que eles alcançarão o patamar do GLP-1.

“Mas mesmo uma penetração modesta em populações que somam centenas de milhões de pessoas poderia criar categorias bilionárias”, escrevem eles, ressaltando que cerca de 1,4 bilhão de pessoas sofrem de hipertensão em todo o mundo.

Outra categoria em destaque é a de imunologia e doenças respiratórias, com uma expansão contínua de indicações que podem transformar um medicamento especializado em uma franquia de tratamento de doenças crônicas voltada para o mercado de massa. Entre eles, o Exdensur, da GSK.

Aprovado nos EUA no fim de 2025, o medicamento é voltado ao tratamento da asma grave. A GSK estima que cerca de 2 milhões de americanos sofrem com a doença, sendo que metade deles segue apresentando complicações ou hospitalizações frequentes.

“Em uma perspectiva mais ampla, a escala atual demonstra o potencial de crescimento dessa categoria: a GSK gerou £ 3,8 bilhões com medicamentos para doenças respiratórias, imunologia e inflamação em 2025”, diz o BTG.

Para o banco, essa oportunidade é menos direta para o varejo comparada ao GLP-1, já que esses medicamentos são distribuídos tradicionalmente por canais especializados. Entretanto, o uso de autoinjetores e as dosagens menos frequentes têm viabilizado cada vez mais o tratamento domiciliar.

“Consequentemente, grandes redes brasileiras — dotadas de logística sofisticada de cadeia de frio, programas digitais de adesão ao tratamento e serviços clínicos — poderiam conquistar uma fatia maior desse mercado ao longo do tempo”, afirmam os analistas.

Alzheimer, oncologia, vacinas e serviços

A lista também inclui o Alzheimer, uma categoria com um mercado “potencialmente enorme” e, no qual, a inovação terapêutica começa a se traduzir em produtos comerciais, superando modelos de tratamento que, até então, limitavam a participação das farmácias nessa cadeia.

Entre os dados que embasam essa visão, o relatório mostra que, apenas nos EUA, mais de 6,5 milhões de pessoas têm a doença. E cita que a IQVIA prevê que o Alzheimer e outros tratamentos neurológicos vão contribuir de forma significativa para o crescimento dos gastos na área.

Maior categoria do setor, a oncologia é outro campo promissor, com a previsão de que os gastos globais no segmento alcancem o patamar de cerca de US$ 440 bilhões até 2028, impulsionados por aproximadamente cem novos medicamentos.

O BTG ressalta que boa parte dessa oportunidade não passará pelo varejo tradicional. Mas destaca que um subgrupo de medicamentos orais está ganhando cada vez mais relevância no setor, o que abre as portas para as vendas nas farmácias. Assim como outras terapias de uso crônico, realizadas em casa.

A última área citada como uma oportunidade distinta é a de vacinas e serviços de saúde prestados nas farmácias. Segundo o banco, em vez de criar apenas mais uma categoria de uso contínuo com receita superior a R$ 1 bilhão, elas podem ajudar a transformar as redes em plataformas de serviços de saúde.

“A principal conclusão é que o sucesso dos GLP-1 é excepcionalmente difícil de replicar. Eles trouxeram um medicamento de alto custo – típico de terapias especializadas – para o canal de varejo de massa, alcançando dezenas de milhões de potenciais pacientes brasileiros e exigindo compras recorrentes”, pontua o BTG.

O banco ressalta, porém, que o pipeline da indústria farmacêutica sugere que o portfólio do setor seguirá migrando para terapias de maior valor agregado. Nesse contexto, os analistas preferem monitorar três questões no lugar de simplesmente buscar o “próximo GLP-1”.

O pacote em questão inclui o tamanho do mercado endereçável; o tratamento crônico ou recorrente; e a capacidade de distribuir ou administrar o produto em farmácias. E, com base nesses critérios, o BTG tem os seus favoritos.

A obesidade segue na dianteira, com os medicamentos orais e de nova geração para hipertensão como as novas categorias de massa mais interessantes. Vacinas e medicamentos biológicos de autoadministração oferecem boas oportunidades para serviços nas farmácias.

Já os tratamentos para Alzheimer e oncologia oral representam opções estratégicas de longo prazo para o segmento de farmácias especializadas.



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