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Tempestade global e eleição deixam investidores à beira de um ataque de nervos

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A incerteza sobre o resultado da eleição presidencial brasileira, marcada para 4 de outubro, é intensificada pela turbulência no cenário internacional, incluindo o aumento do preço do petróleo e a expectativa de elevação dos juros nos EUA. O Credit Default Swap (CDS) do Brasil, que mede a percepção de risco, está em queda, mas isso não indica uma melhora na avaliação do país pelos investidores.

O economista Alex Agostini ressalta que a percepção sobre o Brasil permanece negativa, apesar de uma leve expectativa de que a vitória de Flávio Bolsonaro possa resultar em uma gestão fiscal mais equilibrada. O mercado está cauteloso, com o dólar mantendo-se em torno de R$ 5,00 e o Ibovespa apresentando ganhos no ano. A volatilidade dos ativos locais pode ser influenciada por fatores externos e pela agenda econômica que se aproxima da eleição, enquanto investidores aguardam dados importantes sobre a economia dos EUA e do Brasil.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A indefinição em torno do resultado da eleição presidencial brasileira ganhou um aditivo que poderá turvar os negócios no mercado financeiro na última semana da campanha eleitoral: a intensa turbulência que sacode ativos no cenário internacional.

Na esteira de um renovado aumento do preço do petróleo para além de US$ 100 o barril Brent, de indicadores que apontam a economia americana mais forte que o esperado e a percepção de que há mais inflação à espreita, favorecendo a elevação do juro pelo Federal Reserve, a remuneração dos títulos do Tesouro dos EUA voltou aos maiores níveis em duas décadas e o dólar se fortalece em detrimento de todas as moedas – inclusive o real.

Entre os dados monitorados pelo mercado que permitem aferir a temperatura do Brasil está um seguro contra calotes conhecido internacionalmente – o Credit Default Swap (CDS). Esse indicador, que não reflete risco soberano é um exemplo do quanto os juros americanos podem pesar na avaliação de um país ou de uma empresa. E, no caso do Brasil, o CDS está em queda não desprezível.

Após encerrar 2025 em torno de 140 pontos, o CDS Brasil de 5 anos tem oscilado entre 110 e 120 pontos com chance de romper o suporte de 110 a qualquer momento. Condição que poderá confirmar a menor cotação desde maio de 2024, quando era negociado a 99,48 pontos. A partir daí, o próximo piso a ser testado é 92,40 pontos marcado em fevereiro de 2020. O ritmo de queda depende fundamentalmente do comportamento dos juros aqui, a partir do resultado da eleição.

Entretanto, essa baixa não significa dizer que a avaliação do Brasil por investidores internacionais vai de vento em popa. Não é bem assim, explica ao NeoFeed, Alex Agostini, economista-chefe da agência brasileira de classificação de risco de crédito Austin Rating que lembra que o CDS não é risco Brasil.

“Não é risco soberano, mas medida quantitativa da diferença entre juros de títulos americanos de 5 anos e brasileiros de igual vencimento”, diz Agostini. Se o juro americano continuar subindo e a Selic caindo, o diferencial entre eles encolherá e, por consequência, o CDS também diminuirá.

“Esse movimento não é sinal de que o Brasil está melhor ou ficará melhor. A percepção de melhora ou piora está embutida no rating soberano, que a Austin e outras agências fazem. E onde avaliam indicadores quantitativos – juro, câmbio, inflação, entre outros – e qualitativos como a questão social e impacto das medidas de execução orçamentária.”

O economista-chefe da Austin diz que a percepção sobre o Brasil não mudou. “O Brasil ficou é muito barato. Os fundamentos continuam ruins e o próximo governo, ainda que seja do campo da direita, não vai conseguir mudar o País rapidamente”, observa Agostini que identifica entre investidores a leve impressão de que, se Flávio Bolsonaro vencer a eleição, o Brasil terá condições melhores de reduzir o endividamento porque poderá ter uma gestão fiscal mais equilibrada.

Dedo no gatilho

Esse contexto convida o investidor a manter o “dedo no gatilho”, mas o momento recomenda cautela porque o resultado de ordens de compra ou venda de ativos no mercado local poderá ser testado logo após o primeiro turno da eleição presidencial no domingo, 4 de outubro.

Apesar da inflação persistente no exterior e aqui, de novas etapas do tarifaço de Donald Trump contra exportações, além da pressão sobre o petróleo e fôlego dos juros americanos, os ativos domésticos chegam a exibir desempenho favorável. Mas a evolução ao longo das próximas semanas é incerta.

Após breve desvalorização, em maio o dólar alcançou R$ 5,00, mantém esse patamar e ainda apresenta queda próxima a 5% de janeiro a 23 de setembro. O bônus brasileiro de 10 anos, cotado em reais no exterior, alinhou-se às taxas domésticas de prazos mais longos, tendo como baliza a Selic que, até duas semanas atrás, estava em 14% e caiu a 13,75% por decisão do Copom. E com chance de recuar em novembro, como avalia parte do mercado após a recém-divulgada Ata do comitê.

O Ibovespa, ainda positivo neste setembro, registra ganho em torno de 14% no ano. Apesar da oscilação diária, o índice tenta se recompor considerando que chegou a colar em 200.000 pontos nos primeiros meses de 2026 amparado por um estupendo ingresso de capital estrangeiro.

Ações listadas na B3 chegaram a agregar R$ 69 bilhões de janeiro a abril. Reativos ao incerto cenário externo, investidores repatriaram recursos e o saldo das aplicações de estrangeiros despencou a R$ 13 bilhões até agosto. Nas últimas semanas, as inversões foram retomadas, mas de forma errática. E no ano, até 22 de setembro, o saldo é de R$ 27,9 bilhões. Poderá escalar a depender da eleição.

Vitória da oposição, representada pelo candidato Flávio Bolsonaro que, acredita o mercado, poderá adotar uma política fiscal mais responsável, poderá levar a uma valorização substancial do Ibovespa, estimam grandes bancos americanos – condição favorável ao ingresso de mais capital externo na B3.

Entretanto, a despeito da eleição no Brasil, gatilhos externos podem exigir ajustes em posições no mercado local ainda nos próximos dias – período em que um agenda econômica robusta desafia bancos e gestoras que também estarão voltados aos atos de campanha dos principais candidatos e a informações que poderão pipocar e agravar a crise instaurada no Supremo Tribunal Federal (STF).

Como de praxe, na última semana de cada mês, o BC dispara balanços sobre operações internacionais, operações de crédito e política fiscal – precedido por relatórios do Tesouro sobre dívida pública e endividamento do governo geral –, dados do mercado de trabalho e índices setoriais de confiança do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas. No calendário externo, dados do mercado de trabalho nos EUA são destaque. Os mais relevantes saem na sexta-feira, 2.



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