Algumas grandes cidades ao redor do mundo viraram “capitais digitais”, por conta da presença de data centers e de boa conectividade. O próximo passo agora é a formação do que especialistas chamam de “capitais digitais distribuídas”. É quando a combinação da infraestrutura digital interconectada de cidades próximas é compreendida como um hub único, com alta capacidade e baixíssima latência. É o caso da Península Ibérica quando consideradas as cidades de Lisboa, Madri e Barcelona, informa estudo realizado pelo Dstream Group a pedido da DE-CIX.
Juntas, as três cidades somam mais de 100 data centers, mais de 800 redes, 35 cabos submarinos, 12 backbones de grande porte e 13 pontos de interconexão de tráfego de Internet (IXs). A proximidade entre as cidades e a interconexão entre as três garante uma latência abaixo de cinco milissegundos e viabiliza projetos que combinem capacidades de processamento em data centers distribuídos na região. Se considerada toda a Europa Ocidental, a latência sobe para dez milissegundos.
Outras regiões que caminham para se tornarem capitais digitais distribuídas estão no Oriente Médio (em torno de Dubai) e no Brasil (entre São Paulo e Rio de Janeiro), apontou Serge Radocvic, consultor sênior do Dstream Group, responsável pelo projeto.
O estudo foi apresentado nesta quarta-feira, 30, durante o Atlantic Convergence, em Lisboa.
Capital digital distribuída e soberania em IA
Na opinião de Ivo Ivanov, CEO da DE-CIX, capitais digitais distribuídas serão fundamentais para a soberania em inteligência artificial.
“A soberania começa pela conectividade soberana. Não se trata só do destino dos dados, mas da conectividade. Quanto mais curto o caminho, maior o controle e melhor a soberania. Controlar a jornada de dados gera confiança”, disse Ivanov.
Com o aumento do processamento para inferência de inteligência artificial, crescerá a demanda por interconexão entre data centers, fortalecendo o papel das capitais digitais distribuídas. “Isso vai ser crucial para a soberania digital. A Ibéria está pronta para isso e todas as outras regiões vão precisar também”, disse. No seu entender, o objetivo é ter o processamento o mais local possível e, ao mesmo tempo, garantir a maior integração global possível.
Também presente no Atlantic Convergence, João Razori, diretor de produtos, arquitetura de soluções e estratégia de edge da Ascenty, concordou: “Inferência de IA precisa não apenas de energia, mas de conectividade. Vejo os mercados de telecom e de data center como um só.”
Foto no alto: Ivo Ivanov, CEO da DE-CIX, no Atlantic Convergence (crédito: Rita Gazzo)
*O jornalista viajou a convite da DE-CIX




