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Fiagro da AZ Quest despenca 17% em dois dias. O motivo? Cotribá

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Um típico movimento de manada tomou conta do Fiagro AZQ11, da AZ Quest, nesta semana. Cotistas se desesperaram diante da interrupção da distribuição de dividendos — prevista para durar dois meses — e venderam as cotas em peso: o preço em bolsa caiu 13% na quinta e quase 4% nesta sexta-feira.

O susto começou quando a gestão soltou um fato relevante, na quarta-feira (30), avisando os cotistas que a distribuição dos proventos seria interrompida em setembro e outubro, por causa de investimentos ligados à cooperativa gaúcha Cotribá.

O AAZQ11 investia em cotas seniores do Fiagro Cotribá, um fundo administrado pelo Daycoval. Com a inadimplência na carteira desse fundo aumentando (principalmente por causa do não pagamento dos cooperados), a subordinação do fundo, de 30%, foi totalmente consumida e, em setembro, o impacto chegou à cota sênior.

A Cotribá passa por um momento delicado. No último ano, foram pelo menos três CEOs — sem contar o vaivém na recuperação judicial da cooperativa, cuja dívida somava quase R$ 1,4 bilhão.

Como resultado dessas turbulências e dos problemas financeiros pelos quais os cooperados passam, a capacidade de pagamento deles ficou afetada, o que comprometeu os resultados do fundo, levando à remarcação.

Pouco impacto

Apesar do desespero dos cotistas, as cotas do Fiagro Cotribá perfaziam apenas 3,45% do patrimônio líquido do AAZQ11 antes da remarcação. Depois dela, passaram a representar 2,9% do patrimônio líquido. Contabilmente, a remarcação nos títulos se traduz em um impacto de R$ 1 milhão em setembro, segundo a gestora.

Esse número afeta o resultado do fundo (entrando na conta como uma perda). Mesmo com essa remarcação, o fundo continuou tendo lucro, ainda que bem menor: de R$ 0,04 por cota, ante R$ 0,09 por cota nos meses anteriores.

Esse lucro, teoricamente, poderia ser distribuído aos cotistas. Mas, como a AZ Quest espera que novas remarcações aconteçam no Fiagro Cotribá — impactando o fundo em R$ 4 milhões ao todo —, a estratégia foi de fazer um “colchão” para absorver esses impactos futuros com o caixa do AAZQ11.

Dessa forma, o plano é voltar com uma distribuição gradual dos proventos a partir de novembro, afirmou a gestora no relatório gerencial.

***

Além do Fiagro da AZ Quest, o PLCA11, do Pátria, e o EGAF11, da Ecoagro, também têm investimentos no fundo da Cotribá.

Na bolsa, as cotas do AAZQ11 fecharam o dia cotadas a R$ 5,41.



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