As principais preocupações para o agronegócio em 2027, vistas daqui, são o El Niño, a reforma tributária, a geopolítica e os juros nos Estados Unidos. A leitura foi compartilhada por executivos durante o The New Agro, evento promovido nesta semana pela Grão Direto no Cubo Itaú, em São Paulo.
Para Gustavo Trevizoli, diretor de originação da Cofco International, os principais temores se dividem em três eixos: clima, custos internos e impactos externos. “E não analisamos os fatores individualmente, mas sim em como vão se combinar”, afirmou.
No aspecto climático, ele destaca que a safra da soja começou bem, com otimismo, mas é preciso esperar para ver o quanto o El Niño poderá afetar a produtividade e o volume. “Além disso, há preocupação com a janela de plantio do milho, em como o fenômeno pode afetar a segunda safra”, detalhou.
No âmbito doméstico, Trevizoli vê dois pontos de atenção. Um é a reforma tributária, “com um impacto bastante disruptivo e desconhecido em todos os elos, desde a formação do preço do produto até custos logísticos”.
Segundo ele, os operadores de frete rodoviário tinham composição de custos muito baseada no PIS e na Cofins, que serão substituídos pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) a partir de janeiro.
Já na geopolítica, o executivo destaca a necessidade de avaliar continuamente os efeitos da volatilidade causada pelo prolongamento das guerras na Ucrânia e no Irã. “As questões de fertilizantes e diesel trouxeram preocupação já neste ano, e precisamos ver como vão se comportar.”
Câmbio
Fernando Berardo, head de Commodities da empresa de dados Barchart, acrescentou ao diagnóstico traçado por Trevizoli dois aspectos macroeconômicos com potencial impacto no agronegócio brasileiro: a valorização do real frente ao dólar e a tendência de aumento nos juros americanos.
No primeiro ponto, embora ressalve que ainda não se sabe qual será o resultado da eleição presidencial nno Brasil, ele destacou a valorização do real ao longo de 2026 e a perspectiva de essa tendência se intensificar, com efeito negativo para as receitas de exportações.
“Para boa parte do mercado brasileiro, vale sempre lembrar que a conta é preço de commodity vezes cotação do câmbio”, disse.
Com relação aos juros nos EUA, Berardo salientou que, enquanto o Brasil está em trajetória de redução, com a taxa em 13,75% e projetada para 12% ao fim de 2027, o Fed, o banco central americano, sinaliza manter ou elevar a taxa.
Os juros americanos subiram de entre 3,5% e 3,75% em dezembro de 2025 para entre 3,75% e 4% em setembro, e a maioria dos dirigentes do Fed prevê mais uma alta de 0,25% até dezembro — o que Berardo credita em parte à continuidade da guerra no Irã, que eleva o preço do petróleo e pressiona a inflação nos EUA.
“Até que ponto o real vai se valorizar com os juros nos EUA altos? Além disso, com juros maiores, os fundos especulativos tendem a sair de commodities e ir para dólar e tesouro americano. Temos que monitorar de perto.”
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Realizado na terça-feira (6), o The New Agro reuniu cerca de 400 pessoas durante todo o dia, entre representantes de tradings, indústrias, instituições financeiras e empresas de tecnologia.




