Algumas perguntas tiram o sono dos empreendedores.
Qual o momento de contratar alguém para tirar o founder da área de vendas? Quando faz sentido reduzir o preço para conquistar uma conta estratégica?
Essas são algumas das questões que a Endeavor quer ajudar a responder com inteligência artificial.
A organização acaba de lançar uma ferramenta de AI que funciona como uma espécie de mentora virtual e, ao mesmo tempo, um Tinder – sem pegação – que conecta founders a quem já enfrentou os mesmos problemas.
A novidade está sendo testada pelas 17 startups da nova turma do Scale-Up, o programa da Endeavor voltado a empresas em fase de crescimento. Entre elas estão a TESS AI, a Voa Health, a Maggu AI e a PassHub.
No total, esse grupo de startups já captou R$ 240 milhões de investidores como Prosus Ventures, Canary, Maya Capital e Astella.
A ideia é escalar um dos principais ativos da organização: sua rede de mentores e o conhecimento acumulado em 25 anos de conversas com empreendedores.
“Queremos não só organizar esses aprendizados de uma forma coletiva, mas também distribuir esse aprendizado de uma forma que não dependa necessariamente dos encontros um a um,” disse Maria Teresa Fornea, diretora-geral da Endeavor, ao Brazil Journal.
Na prática, o founder poderá acessar a ferramenta dentro de qualquer LLM (como o Claude ou o ChatGPT) por meio de um plugin, e descrever seu desafio para receber sugestões baseadas nas experiências de outras empresas ligadas à Endeavor – e descobrir quem pode ajudá-lo.
Para fazer esse match, a AI vasculha uma base de 825 empreendedores e mentores, seleciona os perfis mais adequados e apresenta seis nomes, explicando o motivo de cada indicação.
A busca vai além de outros founders.
Uma startup tentando vender para grandes empresas, por exemplo, pode ser conectada a um diretor de compras que conhece o outro lado desse tipo de negociação.
Se o empreendedor quiser conversar com um dos indicados pela AI, um agente da Endeavor faz o contato pelo WhatsApp e encaminha o agendamento após a confirmação do mentor.
É uma tentativa de acelerar um processo que, até agora, levava de três a seis semanas para uma indicação que pode acontecer em segundos, diz Maria Teresa. “A gente sempre fez isso de certa forma, mas era impossível fazer de maneira tão automática.”
Só que a ferramenta não se limita a conectar pessoas.
Por trás dela está o Collective Brain, uma espécie de CRM que reúne o histórico de mentorias da Endeavor, registrando as experiências e trajetórias dos empreendedores da rede.
Segundo Aruã Caselli, head de data e AI da Endeavor, a AI analisa transcrições de conversas e reuniões, identifica os problemas enfrentados pelas empresas, as recomendações recebidas e os resultados das decisões.
Para preservar a confidencialidade das mentorias, a Endeavor criou uma versão tratada de sua base de dados, retirando informações sensíveis antes de disponibilizar os aprendizados aos agentes.
Num piloto com 99 conversas, a Endeavor extraiu 3.625 “evidências” – registros de situações vividas pelos empreendedores, das recomendações recebidas e de seus possíveis resultados.
A ferramenta também identificou 562 desafios de negócios, como dificuldades para contratar executivos ou estruturar uma área comercial, posteriormente agrupados em 89 temas.
Com essas informações, a AI consegue sugerir caminhos para os problemas dos empreendedores sem que eles precisem necessariamente conversar com um mentor.
“O empreendedor pode buscar conexões ou receber respostas imediatamente sem precisar passar por uma conexão,” disse Aruã.
O plano da Endeavor é ampliar gradualmente o acesso para outros empreendedores da rede até o final do ano.
“A gente quer que o acesso seja o mais amplo possível, mas precisamos respeitar a confidencialidade. É um produto que está aprendendo com o uso, então é perigoso ampliar demais,” disse Maria Teresa.
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