
A forte queda da Bolsa de Valores e a disparada do dólar nesta segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chamaram a atenção até de quem não acompanha o mercado financeiro. Mas o que essa turbulência pode mudar na vida de quem não investe em ações?
Embora os efeitos não sejam imediatos, a instabilidade pode influenciar os juros, o custo dos financiamentos e até os preços de produtos e serviços. É o que explicam os sócios da Canaã Capital, escritório de investimentos parceiro da XP.
Na segunda-feira, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou o dia em queda de 13,88%, enquanto o dólar avançou 8,21%. A intensidade das perdas levou à interrupção temporária das negociações, mecanismo conhecido como circuit breaker.


Segundo Lucas Coutinho Caldeira, sócio-fundador da Canaã Capital, o movimento reflete a frustração de parte dos investidores, que apostavam na possibilidade de mudança de governo.
“Se o mercado financeiro fosse lógico e racional, a gente não teria altos e baixos. Mas o mercado é muito psicológico”, avalia.
E o que muda no bolso?
Uma das principais preocupações está na trajetória dos juros. Antes da eleição, o mercado esperava novas reduções da taxa básica, a Selic, atualmente em 13,75% ao ano. Com o resultado das urnas, cresceram as incertezas sobre a continuidade desses cortes.
Na prática, a manutenção dos juros elevados por mais tempo pode dificultar o acesso ao crédito, encarecer financiamentos e aumentar os custos das empresas.


Outro ponto de atenção é o dólar. Quando a moeda americana sobe, produtos importados e matérias-primas cotadas em dólar podem ficar mais caros. Dependendo da duração da alta, parte desses custos pode chegar ao consumidor.
Esses efeitos, porém, não são automáticos. Dependem também da inflação, da atividade econômica e das decisões do governo e do Banco Central.
Caldeira aponta a situação das contas públicas como um dos principais fatores de preocupação. Segundo ele, o avanço do endividamento do governo pode dificultar a redução dos juros e pressionar empresas que precisam renovar empréstimos.
“Sem controle fiscal, a política monetária tem que ser mais restritiva e não consigo cortar tantos juros. Com isso, as empresas não conseguem reperfilar dívidas”, explica.
É hora de se preocupar com os investimentos?


Para quem já investe, a orientação dos especialistas é evitar decisões precipitadas diante das oscilações. A Canaã Capital afirma que vinha preparando as carteiras de seus clientes para diferentes resultados eleitorais, combinando investimentos com características distintas.
A diversificação, segundo Caldeira, ajuda a reduzir a exposição a movimentos bruscos do mercado. Um exemplo é a combinação de ações brasileiras com investimentos vinculados ao dólar, que podem apresentar comportamentos diferentes em momentos de instabilidade.
Por outro lado, a queda das ações também pode abrir oportunidades para investidores com maior tolerância ao risco. Isso não significa, entretanto, que os preços necessariamente voltarão aos níveis anteriores.
Gustavo Spers, também sócio-fundador da Canaã Capital, considera que o momento exige cautela e avaliação individual de cada investimento.
“Na crise surgem oportunidades, mas agora, em tese, o momento é de aguardar os próximos passos. O nome do jogo é estruturação e preparação”, afirma.
Para os especialistas, os próximos movimentos do mercado dependerão principalmente das medidas econômicas adotadas pelo governo e das perspectivas para o controle da inflação e da dívida pública.
Serviço
O atendimento pode ser presencial, na rua Coronel José Brás, 135, em Marília, ou remoto. Mais informações pelo telefone (14) 9 9882-0252, pelo www.canaacapital.com.br ou pelo Instagram @canaacapital.






