Bloomberg — A China está bem posicionada para liderar o mundo até 2030 nos grandes modelos de linguagem, que constituem o núcleo da inteligência artificial, e será, no mínimo, competitiva em todas as demais tecnologias de importância estratégica, de acordo com um novo relatório da Bloomberg Intelligence.
O estudo prevê que a China estará à frente em oito dos 17 setores-chave ao final desse período, incluindo os LLMs.
Nas demais categorias cruciais para a corrida pela IA — a produção do hardware necessário para sua operação, desde chips até componentes de redes ópticas —, as empresas chinesas estão, em sua maioria, atrás atualmente, mas serão competitivas até 2030, escreveram os analistas da BI, liderados por Francis Chan, no relatório publicado nesta quarta-feira (28).
“Os EUA e a China estão a caminho de uma liderança tecnológica conjunta em IA até 2030, sem que seja provável que nenhum dos dois países alcance a supremacia geral”, segundo o relatório.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
Os modelos americanos podem manter uma vantagem estreita na vanguarda, enquanto “a expertise da China em otimização de software a deixa bem posicionada na implementação de IA de baixo custo”, afirmou o relatório.
A China provavelmente reduzirá a diferença na tecnologia de semicondutores sem alcançar a autossuficiência total.
A intensificação da concorrência em torno da IA entre as duas maiores economias do mundo é apenas um exemplo do mal-estar que o avanço industrial da China está gerando entre rivais e parceiros.
A União Europeia negociou recentemente um limite para as importações de automóveis, em meio à preocupação de que as empresas chinesas venham a dominar a nova geração de veículos movidos a energia limpa. Em todo o mundo, produtores em setores como o farmacêutico ou de maquinário industrial estão sob pressão semelhante.
Leia também: Anthropic solicita abertura de capital e pode se tornar primeira empresa de IA na bolsa
O estudo da BI prevê que a China se tornará líder global em todas as suas três categorias de energia nova, incluindo veículos elétricos e armazenamento de energia, bem como na fabricação de produtos biofarmacêuticos.
O país já está à frente na produção de robôs humanoides e em alguns aspectos da construção naval, e alcançou os EUA em gastos com pesquisa e desenvolvimento.
‘Corrida para o fundo do poço’
Nenhuma dessas proezas irá resgatar a economia chinesa de uma desaceleração, de acordo com o estudo da BI. A Bloomberg Economics prevê que o crescimento do PIB será, em média, de 3,6% na próxima década — uma queda em relação aos 5,2% registrados nos últimos três anos.
“A IA e a automação podem amenizar a pressão causada pela redução da força de trabalho e pelo enfraquecimento do setor imobiliário, mas é improvável que, por si sós, revertam a desaceleração de longo prazo”, escreveram os analistas.
Leia também: Apple lidera ganhos entre gigantes de tecnologia e vira porto seguro em IA para Wall St
Além disso, as empresas chinesas de IA — assim como suas congêneres em outros lugares — estão enfrentando dificuldades para descobrir como lucrar com suas inovações. Elas “continuam presas em uma corrida para o fundo do poço, com o lucro destinado a permanecer inatingível até que as empresas adotem uma abordagem mais racional em relação à fixação de preços”, segundo a BI.
Ainda assim, as próximas reformulações de índices de referência, como o Hang Seng Tech Index — que ficou para trás em relação ao mercado global de IA —, ajudarão a capturar o valor que está sendo gerado em outros setores das indústrias de alta tecnologia da China, escreveu a BI. “As mudanças poderiam melhorar significativamente o perfil de crescimento do índice e ampliar a exposição a hardware avançado, IA e robótica.”
Enquanto isso, os atritos com os EUA, a Europa e outros parceiros comerciais continuarão a ser um obstáculo para o gigante tecnológico chinês — excluindo as empresas chinesas de mercados lucrativos ou privando-as de componentes de ponta por meio de restrições à exportação.
Mas “é mais provável que essas restrições fragmentem a geografia de sua expansão industrial do que a interrompam completamente”, escreveu a BI.
Veja mais em bloomberg.com
©2026 Bloomberg L.P.




