Bloomberg Línea — O Santander Brasil (SANB11) deve ser obrigado a esperar mais pela retomada da rentabilidade, de acordo com a avaliação de analistas, porque a taxa Selic alta por mais tempo e o risco de crescimento menor da economia devem prolongar a pressão sobre receitas e crédito.
O balanço do terceiro trimestre mostrou um banco que ainda vende carteiras e reduz exposição à baixa renda para se proteger, enquanto o Bradesco (BBDC4), seu concorrente mais próximo na bolsa, já compensa a inadimplência com outras receitas.
Os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, do BTG Pactual (BPAC11), avaliaram que a fotografia do trimestre já é fraca, e o filme não fica mais favorável. Os analistas veem risco de revisão para baixo nas próprias estimativas, depois da reprecificação dos ativos brasileiros que se seguiu à reeleição de Lula.
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Já Pedro Leduc, William Barranjard e Kelvin Dechen, do Itaú BBA, braço de investimentos do Itaú Unibanco (ITUB4), chegam a leitura parecida.
Para eles, o resultado reflete um momento macroeconômico mais duro para o crédito, e o custo do risco ainda não melhorou. As duas casas mantêm recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 29.
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O BB Investimentos, braço de análise do Banco do Brasil (BBAS3), cortou o preço-alvo de R$ 31,60 para R$ 29,50 para o fim de 2027 e manteve recomendação neutra.
Units do Santander Brasil (SANB11)
Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.
O analista Rafael Reis avalia que ainda faltam evidências de uma virada capaz de sustentar a recuperação do retorno, enquanto a margem com clientes e o custo do crédito não melhorarem juntos.
O lucro de R$ 2,9 bilhões dependeu de um efeito tributário favorável. Antes da tributação, o resultado de R$ 2,64 bilhões veio 30% abaixo do que o BTG projetava, e uma alíquota efetiva negativa, de 11,6%, amorteceu a última linha. Mesmo assim, o lucro ficou 7% abaixo do consenso.
Rentabilidade abaixo do custo de capital
O retorno sobre o patrimônio caiu para 11,6%, distante do custo de capital de 16% que o BTG usa para avaliar a ação. Pelas projeções, o indicador sobe para 13,2% em 2026 e 14,7% em 2027 e só ultrapassa esse patamar em 2028, quando chegaria a 16,1%.
A receita explica o atraso. O spread com clientes caiu para 9,70%, quase um ponto abaixo de um ano antes, porque o banco troca operações de massa por clientes de menor risco e menor margem. Em 12 meses, o crédito consignado encolheu 14%, e o pessoal, 12%. O Santander Brasil já crescia abaixo do sistema, observa o BTG.
A administração reconhece o custo da escolha. Segundo o banco, o novo mix reduz spreads no curto prazo, mas cria uma rentabilidade mais consistente ao longo do tempo.
Distância do Bradesco
O contraste com o Bradesco mostra o tamanho do atraso. O lucro do Santander Brasil caiu 28% em um ano, enquanto o do concorrente subiu 14,6%, com retorno de 15,6%. Na tesouraria, os sinais se inverteram: o Bradesco ganhou R$ 875 milhões no trimestre, e o Santander Brasil perdeu R$ 895 milhões.
No crédito, a vantagem é do banco de origem espanhola. A inadimplência acima de 90 dias ficou em 3,4%, ante 4,6% no rival, e a cobertura dos atrasos chegou a 201%, contra 142,6%. A média esconde a pessoa física, cujo índice subiu 1,3 ponto em um ano, para 5,5%, com pressão na baixa renda e no agronegócio, segundo o BTG.
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O alívio dos juros tende a demorar para chegar aos balanços dos bancos, segundo o próprio setor.
“O juro menor impacta o custo de crédito, mas não é rápido”, disse Marcelo Noronha, CEO do Bradesco, na semana passada.
No capital, a fotografia se inverte de novo. O Bradesco concluiu aumento de capital de R$ 10 bilhões no trimestre, enquanto o capital principal do Santander Brasil caiu 0,8 ponto em um ano, para 10,9%, agora abaixo de 11%, destaca o BTG.
Eleição muda a conta da oferta
A reeleição de Lula também mudou o cálculo dos minoritários diante da oferta de troca de ações lançada pela matriz, o Banco Santander (SAN). Até a semana passada, muitos investidores não pretendiam aderir, porque o cenário doméstico parecia melhorar e a filial era negociada com desconto em relação ao Bradesco, segundo o BTG.
Na semana encerrada em 27 de outubro, a ação do Santander Brasil caiu cerca de 7%, e a do Bradesco, 24%, porque a relação de troca atrelou a filial às ações da matriz. Com o papel negociado a uma vez o valor patrimonial, contra 0,9 vez do concorrente, cresce a chance de adesão, avalia o BTG.
O BB Investimentos estima a conclusão da oferta, uma OPA (oferta pública de aquisição) de permuta, no primeiro semestre de 2027. Nos termos propostos, a casa prefere a migração para os futuros BDRs (recibos negociados na B3 que representam ações de empresas estrangeiras) do Banco Santander.
A Jefferies (JEF) vê o Brasil como preocupação para o grupo espanhol, segundo a Bloomberg News.
Gilson Finkelsztain, CEO do Santander Brasil, aponta uma recuperação gradual da rentabilidade como próximo passo, informou o banco. Para o BTG, ele ainda está no início da gestão, mas parte de um ponto difícil.
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