Ondas de calor cada vez mais frequentes e intensas estão se consolidando como um dos principais fatores de pressão sobre a produção de alimentos no mundo. O alerta consta em relatório conjunto da FAO e da WMO, divulgado em 22 de abril.
Segundo o documento, o calor extremo deixou de ser um evento pontual e passou a atuar como um elemento estrutural que redefine as condições de produção no agronegócio global. A secretária-geral da WMO, Celeste Saulo, destacou que o fenômeno intensifica fragilidades já existentes nos sistemas agrícolas.
No caso das lavouras, o impacto ocorre de forma direta na fisiologia das plantas. A partir de temperaturas próximas ou superiores a 30 °C, há comprometimento das funções celulares, o que reduz a eficiência na distribuição de energia e, consequentemente, a produtividade.
Na pecuária, os efeitos também são expressivos. O relatório indica que episódios de calor extremo podem elevar a mortalidade de bovinos em até 24% em situações críticas. Na produção leiteira, as altas temperaturas já resultam em uma redução estimada de 1% na produção global, além de afetarem a qualidade do leite.
O estudo também chama atenção para os impactos sobre a força de trabalho rural. Em regiões como o sul da Ásia, a África Subsaariana e partes da América Latina, o número de dias por ano com condições inadequadas para o trabalho no campo pode chegar a 250, comprometendo a produtividade e elevando riscos à saúde dos trabalhadores.
Além dos efeitos diretos, há impactos indiretos relevantes, como o aumento do estresse hídrico e a ocorrência de secas repentinas. A redução da umidade nas camadas superficiais do solo agrava o cenário, dificultando o desenvolvimento das culturas. Como exemplo, o relatório cita a seca registrada no Brasil na safra 2023/24, quando temperaturas até 7 °C acima da média contribuíram para perdas de até 20% na produtividade.
Diante desse cenário, o documento reforça que o calor extremo tende a se tornar um fator central no planejamento agrícola, exigindo adaptações em manejo, genética, uso de recursos hídricos e estratégias de mitigação para garantir a resiliência dos sistemas produtivos.
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