Bloomberg Línea — A incorporadora One trabalha para garantir a oferta de produtos para a classe média mesmo em um cenário de escassez de terrenos em bairros privilegiados. A meta da empresa é atingir um valor geral de bendas (VGV) de R$ 2,5 bilhões em 2026.
Ao converter edifícios comerciais — que já não atendem mais às exigências do mercado de escritórios — em prédios de apartamentos compactos, a One pretende aumentar a oferta de produtos entre R$ 450 mil e R$ 500 mil.
“A One está bem preparada para navegar no cenário turbulento à frente. Buscamos controlar os custos e o valor do terreno para que o preço final não saia do alvo. Temos a preocupação de oferecer um produto acessível”, disse o vice-presidente da One Innovation, Paulo Petrin, em entrevista à Bloomberg Línea.
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O executivo relata que, em 2025, a companhia concentrou lançamentos no último trimestre. Para 2026, a One deve começar a lançar novos empreendimentos em maio. A expectativa é que a empresa encerre o primeiro trimestre com cerca de R$ 410 milhões em vendas. Para o consolidado do ano, o VGV deve alcançar entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,5 bilhões.
Petrin afirma que, para enfrentar a escassez de terrenos em bairros bem localizados, a One tem optado por converter prédios antigos, incluindo a mudança de uso, como a transformação de edifícios comerciais. “Muitos prédios envelheceram e já não são mais adequados. Com isso, acabaram ficando vazios.”
Se o reaproveitamento não é possível, o executivo conta que o prédio é derrubado, andar por andar. “Em alguns casos, a conta fazia mais sentido, pois o terreno permite mais área construída.”
A história da One começou em 2013, com a construção de apartamentos compactos em São Paulo, com unidades de um e dois dormitórios. “Por serem acessíveis em regiões boas da cidade, atingimos diversos públicos como pequenos investidores, porque nossos produtos são muito líquidos”, diz.
O principal público da One, segundo Petrin, busca financiamentos em bancos tradicionais para viabilizar de 60% a 70% do valor do imóvel. “O financiamento é importante no nosso mercado. Mas quando você sai desse valor e passa de R$ 1 milhão, a liquidez é menor”, destaca.
Desafios à frente
“Começamos o ano muito animados, mas fatores que fogem ao radar, como a guerra [no Irã], que impacta os preços das commodities e insumos, vão elevar os nossos custos”, aponta Petrin.
Neste contexto, ele explica que o mercado imobiliário vem sendo impactado. “A demanda está reprimida, precisamos melhorar muito as condições macroeconômicas”, diz.
Outra incerteza que surge neste cenário é um conjunto de questionamentos ao Plano Diretor de São Paulo, que estabelece as diretrizes para construções na cidade. Segundo Petrin, com o documento discutido por dez anos e aprovado em 2024, houve um incremento da área construída permitida dos terrenos, o que ajudou a impulsionar o mercado imobiliário.
“Precisamos que o Plano Diretor, que já foi aprovado, seja respeitado. Isso trouxe um aproveitamento maior dos terrenos e houve uma oferta maior de moradia na cidade. Porém, quanto mais restritivas as regras, mais caro ficará para morar.”
Apesar das incertezas, o executivo garante que a One terá fôlego para honrar com os compromissos na esteira da incorporadora. A empresa conta com investimentos do fundo soberano de Singapura, o GIC.
“Somos uma empresa muito bem estruturada, temos como acionista o GIC, que diferentemente de outros fundos, visa o longo prazo”, observa Petrin.
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