A NOAA, a agência meteorológica dos EUA, decretou o início do El Niño nesta quinta-feira, 11 de junho. Na verdade, tanto o aquecimento do oceano Pacífico como o efeito dele na atmosfera já eram perceptíveis nas últimas semanas, mas faltava a chancela do órgão americano.
A chance de um El Niño muito intenso, com anomalia superior aos +2°C, aumentou de 37% para 63% entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Uma dúvida que ainda paira no ar é esse fenômeno conseguirá bater a anomalia de +2,5°C e ser ainda mais forte que os extremos de 1982/83, 1997/98 e 2015/16.
O El Niño é um fenômeno caracterizado pelo aumento da temperatura no oceano Pacífico Equatorial Central e que modifica a intensidade e frequência de chuvas em todo o globo, afetando também a temperatura.
No Brasil, a chuva torna-se excessiva no Sul e em partes do Sudeste e Centro-Oeste especialmente a partir de setembro, enquanto as regiões Norte e Nordeste têm uma pior qualidade da chuva e aumento da temperatura.
A agricultura do Brasil é penalizada de uma forma geral. As culturas de inverno são afetadas pelo excesso de chuva no Sul, o plantio da soja atrasa pela pior qualidade das precipitações no Sudeste e Centro-Oeste durante a primavera, enquanto a segunda safra de milho sofre com a estiagem precoce observada no outono na maior parte do País.
Sem falar na ocorrência de ondas de calor em áreas de cana-de-açúcar, café e laranja no centro e sul do Brasil, além da maior incidência de queimadas em boa parte do País.
Os primeiros efeitos
Nos períodos secos sob influência do El Niño, é comum chover forte onde isso normalmente não acontece nesta época do ano. Em agosto de 2023, por exemplo, a precipitação varreu as regiões Sudeste e Centro-Oeste e chegou até o Matopiba. Já em julho de 2015, a chuva alcançou boa parte do Centro-Oeste.
Em 2026, vemos algo semelhante, com chuva acima do normal para a época do ano em Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais — estados que normalmente não veem precipitação em junho. Além disso, o acumulado será bem elevado para essa época no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, alcançando 100mm em alguns municípios dos três estados até a próxima terça-feira.
A precipitação, além de acima da média, será persistente, podendo piorar a qualidade da pluma do algodão, paralisando a colheita do milho segunda safra, da cana e do café e o plantio do trigo. A lentidão na colheita pode provocar queda e piora da qualidade de grãos de café, diminuir o açúcar total recuperável (ATR) da cana e aumentar a incidência de doenças no trigo.
Entre 18 e 25 de junho, a chuva ainda será forte, porém em uma posição mais comum para época do ano, alcançando toda a região Sul e os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Embora a precipitação ainda traga problemas ao Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, ela será bem-vinda no Rio Grande do Sul, que está com umidade do solo abaixo do ideal para o plantio e desenvolvimento inicial do trigo.
A temperatura permanecerá mais baixa no Sul e partes do Sudeste e Centro-Oeste nos próximos dias. Há potencial para geadas entre os dias 15 e 18 de junho desde o sul do Paraná até o Rio Grande do Sul, porém sem alcançar culturas vulneráveis ao frio intenso.




