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Canavial aquém das expectativas faz Jalles desabar 10% na bolsa

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Não está fácil para ninguém. A Jalles Machado que o diga.

Se já não bastassem os preços combalidos do açúcar, a demora na recuperação da produtividade dos canaviais ajudou a contaminar o ambiente, derrubando as ações da companhia goiana.

Nesta quarta-feira, os papéis da Jalles desabaram quase 10%. O movimento veio na esteira da divulgação das projeções da companhia para a safra 2026/27.

Os números da Jalles até apontam para uma recuperação da produtividade dos canaviais de 8%, mas não foi suficiente para animar os analistas. Thiago Duarte e Guilherme Gutilla, do BTG Pactual, disseram que o número veio 5% abaixo das estimativas do banco.

“Até que surjam sinais mais claros de uma retomada da produtividade, é difícil prever uma mudança significativa no sentimento do mercado. Mantemos nossa posição neutra”, escreveram os analistas do BTG.

Em teleconferência com analistas, os executivos da Jalles Machado argumentaram que a produtividade está se recuperando gradualmente. Além disso, acreditam que uma recuperação dos preços do açúcar pode ocorrer a partir da próxima safra (2027/28).

Na apresentação, o diretor financeiro da Jalles Machado, Rodrigo Penna de Siqueira, mostrou dados históricos sobre o comportamento dos preços do açúcar. Desde 1998, os ciclos mais demorados de baixa do adoçante foram de 444 dias. O ciclo atual, segundo o executivo, já tem 383 dias.

“Ainda está muito difícil de saber se esse ciclo vai ficar na média ou se vai durar mais do que a média. A gente acredita que tem uma mudança para a próxima safra. Quando olhamos os fundamentos, não justifica estar com o preço tão baixo”, disse Siqueira.

Nessa janela histórica, o preço médio do açúcar estaria na casa de R$ 2,3 mil por tonelada, bem acima das atuais R$ 1,6 mil por tonelada. “Ultrapassar essa média deve demorar mais, mas superar o etanol é outra coisa, deve acontecer bem antes”, projetou o direto financeiro da Jalles.

Etanol ou açúcar?

Se tornar mais rentável perante o etanol é um movimento importante para os grupos sucroalcooleiros. Neste momento, o clico do biocombustível também não ajuda, com uma oferta abundante pressionando as cotações.

Nas previsões divulgadas na terça-feira à noite, a Jalles indicou que o etanol deve absorver 59% do mix (ante 53% na safra anterior) e o açúcar deve ocupar 41% (ante 46% no ciclo anterior).

“Em Minas Gerais, no preço de hoje, está empatando fazer açúcar ou etanol. No empate, focamos em etanol, porque o valor presente é melhor do que o do açúcar, por causa do frete. Em Goiás, está melhor fazer etanol do que açúcar, aos preços atuais”, afirmou Siqueira.

Nas contas do CFO, a produção brasileira de etanol deve ser 5 bilhões de litros maior do que a do ano passado (sendo 2 bilhões acrescentados pelo etanol de milho e outros 3 bilhões pelo etanol de cana).

A implementação do E32, esperada para a semana que vem, deve gerar uma demanda adicional de 1,1 bilhão de litros nesta safra, o que ainda é insuficiente para acabar com a sobreoferta do biocombustível.

As ferramentas da Jalles

Para lidar com o cenário desafiador, a Jalles apertou o cinto. Na última safra, cortou 350 postos de trabalho. Em outras frentes, buscou eficiência via projetos de irrigação, troca de cultivares (especialmente na usina Santa Vitória, em Minas Gerais) e passou a produzir biológicos on-farm.

Do lado financeiro, a companhia está em posição saudável, com um caixa maior do que o usual — R$ 1,8 bilhão no fim da safra 2025/26, suficiente para cobrir os vencimentos de dívidas da Jalles até 2030/31.

Além disso, o grupo goiano conseguiu travar os preços do açúcar em níveis melhores que a concorrência, notou o BTG Pactual.

Para a safra 2026/27, a companha já fez hedge do equivalente a 80% da produção esperada de açúcar com um preço 40% acima do mercado spot. A Jalles também já fixou parte das vendas para as próximas duas temporadas.

***

Listada na B3, a Jalles está avaliada em R$ 717 milhões. Em doze meses, as ações caem 47%.



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