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Keeta contra-ataca iFood e decide pagar multa de exclusividade de restaurantes. Mas veta 99Food

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A Keeta, plataforma controlada pela chinesa Meituan, decidiu pagar multas de exclusividade para restaurantes de médio porte no Brasil, permitindo que operem em sua plataforma.

A empresa enfrenta dificuldades para entrar no mercado, onde mais de 50% dos restaurantes relevantes em São Paulo estão comprometidos com iFood ou 99Food.

Mas, para bancar 100% da multa, a Keeta proíbe os restaurantes de se associarem à 99Food, oferecendo uma alternativa de pagamento parcial.

O vice-presidente Danilo Mansano afirma que a entrada no Brasil foi mais desafiadora do que esperado, devido a um “mercado fechado”. A Keeta está em 11 cidades e planeja expandir somente após resolver questões com o Cade.

A empresa nega acusações de espionagem feitas pelo iFood, considerando-as uma “cortina de fumaça”. Com um investimento de R$ 5,6 bilhões, a Keeta está disposta a crescer no mercado de delivery brasileiro, e diz que seguirá com práticas de distribuir cupons com alto volume de descontos.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A guerra do mercado delivery no Brasil entre as empresas ganha mais um capítulo. Após ser acusada de espionagem pelo iFood, a Keeta, plataforma controlada pela chinesa Meituan, resolveu contra-atacar a líder de mercado. E a estratégia envolve diminuir o volume de restaurantes que só podem oferecer serviços para a concorrente.

O plano da Keeta é de pagar o valor das multas de exclusividades para redes de restaurantes de médio porte que têm até 30 lojas no Brasil, e que mantinham contrato de só operar na plataforma da empresa liderada por Diego Barreto.

No caso das redes de alimentação com mais de 30 unidades, já há uma proibição da manutenção desta exclusividade por parte do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que em 2023 assinou com o iFood um Termo de Compromisso de Cessação (TCC).

A unidade brasileira da companhia chinesa não revela o volume de restaurantes que já aderiram à quebra de contrato com o iFood, mas algumas multas pagas pela Keeta ultrapassam o valor de R$ 1 milhão.

“Muitos restaurantes têm nos procurado, pedindo ajuda para quebrar estes contratos de exclusividade. Isso significa pagar a multa para eles poderem se livrar dessa regra. A gente já está fazendo isso”, diz Danilo Mansano, vice-presidente da Keeta no Brasil, em entrevista ao NeoFeed.

Segundo o executivo da companhia, a equação se baseia no custo da multa e no potencial de crescimento da rede, a partir da entrada na plataforma chinesa. “Vale a pena este investimento, porque ele vai aumentar sua receita com mais uma plataforma para operar”, afirma.

Só que há uma condição para que a Keeta faça o pagamento integral desta multa: que o restaurante não entre na plataforma da 99Food, concorrente que também entrou no Brasil no ano passado para disputar mercado.

“Para pagar integral, ele não pode entrar na 99Food. Por isso que temos outro modelo, que é pagar a metade da multa, aí eles dividem a conta. Porque senão vamos ficar pagando para as outras plataformas usarem. Não é justo”, afirma Mansano.

Hoje, a Keeta afirma que conversa com pelo menos cinco marcas de redes de alimentação por semana. Não necessariamente todas convergem para a decisão de pagar a multa, mas na maior parte o acordo avança. “O tempo de conversa às vezes é longo. O primeiro acordo demorou mais de três meses”, diz Mansano.

Segundo o vice-presidente, a 99Food também realiza uma prática anticoncorrencial, que é de, ao fechar contratos com as redes, exigir banimento de acesso à Keeta. Neste caso, a rede chinesa da Meituan não irá atuar para eliminar esta barreira. “Quem tem este banimento, a gente não tem relação comercial.”

A nova estratégia da companhia é uma forma de equalizar o impacto da dificuldade que a Keeta vem enfrentando para avançar na implementação do serviço nas regiões metropolitanas. Em março, a empresa adiou a entrada no Rio de Janeiro, sob o argumento de que havia um “mercado fechado” para outros players.

Mansano reconhece que a entrada no Brasil foi mais difícil do que a empresa imaginava, justamente por, segundo ele, encontrar um mercado fechado em muitas cidades e pela dificuldade em atrair novos restaurantes, já comprometidos com iFood ou 99Food.

“Mais de 50% dos restaurantes relevantes para o consumidor em São Paulo hoje a gente não pode ter na plataforma. No Rio de Janeiro, é mais de 55%. E a gente só descobriu este número na capital paulista quando estávamos na operação. Isso prejudica os restaurantes e os clientes”, diz.

Com isso, o executivo afirma que a Keeta só vai avançar no número de cidades após essas questões serem resolvidas pelo Cade. “A gente só irá para as maiores regiões metropolitanas quando o Brasil tiver clareza do ambiente que vai querer do ponto de vista de mercado aberto de delivery”, afirma.

O NeoFeed revelou, em reportagem de 15 de junho, que as três plataformas passarão a concorrer ao mesmo tempo em uma segunda cidade, que é Santos, no litoral paulista, a partir de julho. Até então, as empresas só disputavam o mercado na cidade de São Paulo.

Hoje a Keeta está em 11 cidades, todas no litoral e na região metropolitana de São Paulo. Tanto iFood quanto 99Food já fizeram acusações de prática anticoncorrencial contra a rival, por causa da estratégia agressiva da plataforma chinesa em distribuir cupons com valores altos e um volume grande de desconto.

“É muito fácil para as plataformas que têm uma base grande falar que dar cupom é anticoncorrencial. Pergunta isso para o consumidor. A Keeta faz isso para aumentar a base de usuários. A gente acabou de chegar no Brasil”, diz.

O executivo afirma que a empresa tem caixa para usar neste plano estratégico. Quando entrou no país, em outubro do ano passado, a Keeta revelou que teria R$ 5,6 bilhões para colocar a operação de pé.

“Quando a gente abre um país, não volta atrás. O dinheiro já está aqui. A empresa tem fôlego para isso. A Keeta tem paciência para fazer o mercado de delivery crescer no Brasil”, afirma Mansano.

Sobre o processo movido pelo iFood de acusação de espionagem de Keeta e Meituan e de pagar funcionários e ex-funcionários do iFood para obter informações sensíveis, o vice-presidente nega a prática e diz que é “cortina de fumaça” da concorrente.

“Na mesma semana que eles divulgaram este caso, o Cade abriu investigação contra o iFood de restaurantes sendo retaliados por terem quebrado contrato. Esta acusação deles não procede”, afirma.

Sobre o domínio @meituan.com, de e-mails que teriam participado destas reuniões, a partir de informações repassadas pela plataforma Zoom, Mansano diz que “isto não significa nada”. “Para quem é do mundo da tecnologia, sabe que isso não quer dizer nada.”



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