A Polícia Civil apreendeu anabolizantes, hormônios e diversos outros medicamentos na residência de Maurício Roberto Nove, de 40 anos, morto após resistir à prisão no bairro Jóquei Clube, na zona sul de Marília. O homemfoi baleado depois de se trancar em um quarto e apontar uma arma de fogo contra policiais militares que atendiam uma ocorrência de violência doméstica.
A Polícia Militar foi acionada após vizinhos ouvirem pedidos desesperados de socorro vindos do interior do imóvel. Testemunhas relataram que uma mulher estava sendo violentamente agredida e havia sido arrastada para dentro da casa. Diante da recusa do morador em abrir a residência e ao constatarem que todos os acessos estavam trancados, os policiais forçaram a entrada.
No imóvel, os policiais flagraram Maurício sobre a esposa, uma empresária de 33 anos. Ele estava apertando o pescoço dela em uma aparente tentativa de sufocamento. A equipe interveio e fez com que o agressor soltasse a vítima. Uma policial feminina retirou a mulher do local.

A gravidade da situação aumentou quando os policiais teriam constatado que Maurício possuía registro de colecionador, atirador desportivo e caçador (CAC) e mantinha armamento na residência. A informação teria sido confirmada pela vítima. Ao perceber que as equipes utilizariam um dispositivo eletrônico incapacitante (Taser), o homem teria se recusado a obedecer às ordens de prisão. Maurício, então, teria pegado uma pistola que estava escondida atrás de uma impressora na sala e corrido para um dos quartos.
Uma célula tática com escudos balísticos foi montada e uma extensa negociação teve início. Após insistentes tentativas de diálogo, Maurício teria saído do quarto empunhando a arma. Inicialmente, colocou o cano contra a própria cabeça, mas, ao continuar avançando, retirou o armamento e o apontou diretamente na direção dos policiais.
Para conter a ameaça, os policiais dispararam Taser, que não surtiu efeito. Diante do risco, foram efetuados dois disparos contra o homem. Maurício foi atingido, desarmado e algemado. O socorro médico foi acionado, mas ele não resistiu aos ferimentos e teve a morte constatada ainda no local.

Segundo apurou o Marília Notícia, após retornarem da academia, Maurício ficou agressivo depois de um desentendimento com a vítima. Ele a agrediu com um soco no pescoço e a derrubou no chão. A mulher tentou fugir para a rua e chegou a pedir ajuda por meio de um relógio inteligente, mas foi capturada novamente e arrastada para dentro da residência, onde as agressões continuaram até a chegada da PM.
Durante a perícia realizada pela Polícia Técnico-Científica e pela equipe da DDM de Marília, foram apreendidas a pistola Taurus calibre 9 milímetros pertencente a Maurício, com 16 cartuchos íntegros, além da pistola funcional utilizada na ocorrência pela PM.
Uma espingarda de pressão e diversas caixas de chumbinho também foram apreendidas, assim como uma grande quantidade de substâncias anabolizantes e hormônios sintéticos localizados sobre o balcão da cozinha.
O caso foi registrado na DDM de Marília como homicídio decorrente de oposição à intervenção policial, lesão corporal praticada contra a mulher por razões da condição do sexo feminino e localização/apreensão de objeto.




