A promessa da 3tentos de chegar a cem lojas até 2030 já parece conservadora, na visão dos analistas do Bank of America. Com o anúncio de seis novas lojas feito nesta terça-feira, a empresa da família Dumoncel já chegou a 81 unidades em 2026 — o banco projetava que a empresa chegaria a 82 somente no final deste ano.
“Nós vemos potencial para superar a meta da administração de 100 lojas até 2030”, escrevem Isabella Simonato, Julia Zaniolo e Fernando Olvera, citando a capacidade da empresa superar o desempenho dos pares em sua trajetória de expansão.
De forma mais pragmática, a projeção da 3tentos de chegar a 100 lojas até 2030 vai implicar um crescimento anual (CAGR) de 6,5% ao longo dos próximos cinco anos, um percentual abaixo dos 9% registrados ao longo dos últimos cinco.
“Embora nossas estimativas já incorporem o desenvolvimento de um novo polo de crescimento no Pará, impulsionado pela futura usina de etanol e por inaugurações de lojas, continuamos a ver potencial para uma expansão ainda maior do que os planos atuais da administração mostram”, ressaltam os analistas.
3tentos em Goiás?
Com o varejo de insumos ainda altamente fragmentado, a 3tentos tem espaço para crescer, especialmente no Centro-Oeste, avaliam os analistas.
“Estados como o Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás oferecem uma dinâmica favorável para players verticalizados de biodiesel, como é o caso do ecossistema da 3tentos no norte do Mato Grosso”, escrevem.
Por lá, a empresa dos Dumoncel atua focada em poucas (mas grandes) fazendas, o que implica uma densidade de lojas menor, mas uma grande área de influência para cada uma das unidades.
Em Goiás, por exemplo, os analistas apontam que, apesar de as grandes fazendas (com mais de 1.000 hectares) representarem apenas 3% da área total do estado — ante 10% a 15% no Mato Grosso — essas fazendas respondem por 30% a 40% da área agricultável total de Goiás.
“Isso sugere uma base de produtores economicamente relevantes, com escala e altos níveis de profissionalização”, pontuam os analistas. Esse perfil de agricultores, acrescentam os analistas, levaria a uma densidade de lojas maior do que no Mato Grosso, com áreas de influência menor por cada loja.
Erguer outro pólo como o de Vera (MT) — uma planta com capacidade para processar 3 mil toneladas de soja por dia, acompanhada de 20 lojas (com 400 hectares de alcance por cada unidade) — geraria um ganho de R$ 2,30 por ação, segundo o modelo dos analistas. A TIR (taxa interna de retorno) de um projeto como esse ficaria em torno de 24%, acima do custo de capital, na casa dos 14,5%, concluem.




