O mercado de grãos no Brasil desenha um cenário de forte dinamismo e superação para a safra de milho 2025/26. Mesmo enfrentando adversidades climáticas localizadas na segunda safra, o país deve registrar uma produção total estimada em 141,7 milhões de toneladas, um leve avanço de 0,4% em comparação ao ciclo anterior. O grande motor dessa resiliência é o desempenho espetacular da primeira safra (milho de verão), que consolidou a maior produtividade média da sua história.
Primeira Safra: Produtividade recorde e ganho de área
Com 96,3% da área colhida na primeira semana de julho, a primeira safra de milho confirmou o excelente momento vivido no campo. O clima favorável em quase todas as regiões produtoras resultou em uma produtividade média histórica de 7.149 kg/ha, valor 8,2% superior ao ciclo passado.
Motivados por preços atrativos e boas perspectivas no momento do plantio (segundo semestre de 2025), os produtores aumentaram a área cultivada em 9,8%, alcançando 4,14 milhões de hectares. Esse movimento reverteu a tendência de retração observada nos últimos anos, quando o milho vinha perdendo espaço para a soja.
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| Safra | Área (mil ha) | Produtividade (kg/ha) | Produção (mil t) |
| 2023/24 | 3.970,1 | 5.784 | 22.962,2 |
| 2024/25 | 3.772,6 | 6.610 | 24.935,8 |
| 2025/26 (Jul/26) | 4.140,8 | 7.149 | 29.603,7 |
Radiografia nos Estados: Sucesso no Sul, Sudeste e Matopiba
O desempenho das lavouras de verão pelo país reforça o sucesso do ciclo:
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Minas Gerais: Mesmo com atraso no plantio e períodos de baixa umidade no início, o estado encerrou a colheita com resultados surpreendentes. A produtividade foi revisada para cima pela Conab, ficando 14% superior à da safra passada. A produção mineira atingiu 4,75 milhões de toneladas (+23,4%).
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Rio Grande do Sul: Com a colheita 100% concluída, o estado colheu uma média altamente satisfatória de 7.357 kg/ha (apenas 3,1% abaixo do recorde anterior), superando a forte irregularidade das chuvas de verão e a estiagem de fim de ano. A área cresceu 14,2%, impulsionada pelo bom momento econômico do milho frente à concorrência da soja.
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Matopiba: No Piauí, as boas condições climáticas impulsionaram a produtividade, que deve registrar um salto superior a 40% em relação ao ciclo anterior, alcançando 5.280 kg/ha. Em Tocantins, a colheita entra na reta final com rendimento médio estimado em 7.378 kg/ha, destacando-se fazendas de alta tecnologia em Darcinópolis com médias de até 8.400 kg/ha.
Segunda Safra: O contraste entre o estresse hídrico e o potencial de Mato Grosso
Se a safra de verão foi marcada pela regularidade, a segunda safra (“safrinha”) expõe um cenário de duas realidades bem distintas. A colheita nacional atingiu 28,5% da área na primeira semana de julho e lida com os seguintes fatores:
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As Quebras: Lavouras semeadas fora da janela ideal em Goiás, Minas Gerais e no Piauí sofreram severamente com os veranicos (períodos de estiagem) de abril e maio. As chuvas volumosas registradas em junho chegaram tarde demais para reverter as perdas de potencial produtivo. No Paraná, as precipitações ajudaram o milho tardio, mas as baixas temperaturas e geadas pontuais comprometeram algumas regiões.
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A Salvação: Por outro lado, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Pará registraram excelentes condições de desenvolvimento. Em solo mato-grossense, os produtores conseguiram semear na janela ideal e as produtividades têm superado as expectativas iniciais.
Esse fôlego das regiões do Centro-Oeste e Norte permitiu que a Conab elevasse a estimativa da segunda safra para 109,4 milhões de toneladas (+1,5% em relação ao relatório de junho), o que limita a queda desse ciclo a apenas 3,4% frente ao recorde anterior.
Demanda Interna: Etanol e Nutrição Animal aquecidos
O consumo doméstico de milho continua em ritmo acelerado de expansão. Na safra 2024/25, a demanda nacional já havia saltado 7,8% (90,68 milhões de toneladas), puxada principalmente pela rápida consolidação do milho na produção de etanol. Para o ciclo 2025/26, a projeção aponta um novo crescimento de 4,7% no consumo interno.
Essa ampla oferta de grãos é uma notícia extremamente positiva para a cadeia de proteína animal. O milho é o principal componente da ração de aves e suínos, representando o maior custo operacional dos produtores. A estabilidade produtiva do cereal assegura um cenário de custos de nutrição mais previsíveis para o segundo semestre de 2026, ajudando a contrabalancear as margens apertadas das indústrias de carne diante das dificuldades de consumo e exportação.
As exportações brasileiras de milho seguem consolidadas em patamar elevado, impulsionadas pela atratividade cambial e pela forte aceitação do grão brasileiro no mercado internacional.
Da Redação, com informações da Conab




