A Justiça deferiu o pedido de prisão temporária por 30 dias do aposentado Orlando Lazaro De Lima, 74 anos, investigado pelo feminicídio da ex-companheira, de 64 anos, encontrada morta em avançado estado de decomposição na residência onde morava, na rua Gaspar de Lemos, na zona oeste de Marília. A decisão atendeu à representação da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que conduz as investigações.
Segundo a Polícia Civil, a representação foi elaborada pela DDM, sob comando da delegada Ana Paula de Rosso Aguiar, responsável pelas oitivas e diligências iniciais, com apoio das equipes da Central de Polícia Judiciária (CPJ). Com a decretação da prisão temporária, o investigado será encaminhado para à cadeia de Avaí.
O caso começou a ser esclarecido depois que um dos filhos da vítima, um analista de 41 anos, foi procurado pelo próprio suspeito, que informou não conseguir contato com a mulher. Ao chegar ao imóvel, o filho ouviu o telefone celular da mãe tocar no interior da casa, sem que houvesse resposta. Em seguida, acionou o irmão, policial penal de 39 anos, e um chaveiro para abrir a porta.
A vítima foi encontrada sem vida sobre a cama. A Polícia Militar foi acionada e constatou manchas de sangue na região abdominal da mulher, além de localizar um bilhete com ofensas escrito em letras de forma ao lado do corpo. Conforme a avaliação preliminar do Instituto Médico Legal (IML), a morte teria ocorrido entre dois e três dias antes da localização do cadáver.
Durante a investigação, a Polícia Civil afirmou ter identificado contradições nos depoimentos prestados pelo ex-companheiro em relação à cronologia dos fatos. Imagens de câmeras de segurança de imóveis vizinhos também indicariam que o aposentado esteve na residência da vítima no período compatível com a data provável da morte.
Suspeito é investigado pelo crime
Segundo a delegada, embora o ex-companheiro seja o principal investigado, outras hipóteses permanecem em apuração. “O investigado é o ex-companheiro, mas a gente também não excluiu outras linhas de investigação. O que leva a crer que seja ele, pelas imagens que foram obtidas até o momento próximas à residência, é que o suspeito foi a última pessoa que esteve no local enquanto a vítima estava viva”, afirmou.
Em diligência autorizada pela Justiça na casa do investigado, os policiais apreenderam telefones celulares e um caderno de anotações cuja grafia, segundo a Polícia Civil, apresenta significativa semelhança com o traçado do bilhete encontrado na cena do crime.
A Polícia Civil também apreendeu computadores e celulares da vítima para perícia. O inquérito aguarda a conclusão dos exames necroscópico, toxicológico e grafotécnico realizados pelos órgãos periciais para esclarecer a dinâmica do feminicídio.




