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Patria reorganiza portfólio e mira fundos de R$ 5 bilhões em real estate

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Depois de avançar de R$ 600 milhões para R$ 40 bilhões em real estate, o Patria entrou em uma etapa diferente da expansão iniciada em 2021. A gestora agora reorganiza o portfólio herdado das aquisições e concentra esforços na integração dos veículos imobiliários.

O objetivo é operar com fundos de pelo menos R$ 5 bilhões, segundo Rodrigo Abbud, sócio e head de real estate do Patria. “Chegamos a ter 40 fundos imobiliários. Não é razoável do ponto de vista da gestão”, afirma Abbud, em entrevista ao Café com Investidor, programa que é uma parceria entre NeoFeed e CNN Brasil, exibido quinzenalmente no CNN Money (o programa começa a partir de 12:10).

O número é resultado direto da estratégia de crescimento via M&As: VBI, Credit Suisse/UBS, Acts, Genial e parte da RBR. Cada aquisição trouxe estruturas próprias, equipes, carteiras e fundos listados. O desafio agora é transformar esse mosaico em uma plataforma única.

A consolidação tem três vetores. O primeiro é liquidez. “É muito melhor para o investidor ser cotista de um fundo grande. O volume de negociação diária é muito maior”, diz Abbud.

O segundo é diversificação. Fundos maiores diluem riscos de vacância e renegociação. “Se um ocupante de 100 mil metros quadrados sai, num fundo pequeno a cota vai lá para baixo. No nosso caso, praticamente não mexe.”

O terceiro vetor é a eficiência operacional, com menos relatórios, menos estruturas paralelas e menos sobreposição de estratégias.

O processo já produziu movimentos relevantes. No setor de logística, todos os veículos foram reunidos em um único fundo, hoje com R$ 11 bilhões em valor de mercado. De acordo com Abbud, trata-se do segundo maior veículo listado da bolsa, atrás da apenas da Allos.

Em shoppings, o Pátria aprovou a fusão entre o RBR Malls e o Patria Malls, criando um fundo de cerca de R$ 2 bilhões, com nova captação em andamento, que pode adicionar mais R$ 500 milhões. Na vertical de crédito, as aquisições da Acts e da Genial permitiram reorganizar os fundos de CRI e ampliar a escala dos papéis.

Ainda há etapas pendentes. Abbud cita a necessidade de reduzir o número de fundos de renda urbana, revisar estruturas herdadas das gestoras incorporadas e simplificar veículos menores. “Preciso organizar a casa em termos de número de fundos. Não adianta ficar acumulando fundo e não trabalhar nas vantagens sinérgicas”, afirma.

O Patria não descarta novas aquisições, mas Abbud condiciona qualquer movimento a sinergias claras. “Não precisamos mais de nada. Mas, se fizermos, seria algo muito oportunista ou muito complementar.”

O foco, por ora, é concluir a integração e transformar o portfólio de 40 fundos em uma plataforma mais enxuta, com veículos grandes, líquidos e diversificados.

Nesta entrevista, que você assiste no vídeo acima, Abbud fala ainda sobre como os juros altos são um fator que limitam o crescimento do mercado de real estate e conta o impacto da inteligência artificial no seu dia a dia.



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