Ler o resumo da matéria
A DHL planeja investir R$ 270 milhões no Brasil até 2030, focando em crescimento orgânico e expansão de sua rede de lojas, que deve aumentar de 39 para 75 unidades.
A empresa não considera mais a privatização dos Correios, que enfrentam uma grave crise financeira, com prejuízos de R$ 3,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026.
A DHL busca ampliar seu centro de distribuição em São Paulo, dobrando sua capacidade até 2028, e atender a demanda em 3,3 mil cidades.
A expansão se concentrará no Sudeste, Sul e Nordeste, especialmente em e-commerce e serviços bancários.
Apesar dos desafios regulatórios e de infraestrutura, a DHL vê oportunidades no mercado brasileiro, que continua em crescimento.
A empresa também se adapta a mudanças na tarifação global e identifica novas oportunidades, como o transporte de produtos farmacêuticos.
A unidade brasileira é uma das 30 principais operações globais da DHL Express e está entre os 20 países prioritários para investimentos.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Em meio à crise financeira dos Correios e ao anúncio recente da saída definitiva da FedEx do mercado doméstico de entregas no País, a companhia alemã DHL decidiu transitar de forma mais rápida nesta avenida – hoje menos congestionada – com um plano de crescimento que envolve transportes de R$ 270 milhões no Brasil até 2030.
“Vamos buscar o nosso crescimento no Brasil de forma orgânica. É no que a gente acredita. Nossa expansão, com este investimento, vem de uma forma própria. É assim que vamos crescer, com um plano de negócios aprovado pela nossa matriz”, diz Mirele Mautschke, CEO da DHL Express Brasil, em entrevista ao NeoFeed.
Há cerca de cinco anos, a DHL avaliou crescer de forma inorgânica, com a aquisição dos Correios – a empresa chegou a entrar no plano de desestatização elaborado pelo governo federal, na administração de Jair Bolsonaro.
Em 2021, a Câmara dos Deputados chegou a aprovar projeto de lei que permitia a União a privatizar a companhia. Mas a medida sofreu resistência no Senado, e logo após o início da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, os Correios deixaram a lista, ainda que parte do mercado entenda que seja a única saída para a sobrevivência da estatal.
Foi neste contexto que surgiu o interesse da divisão brasileira da companhia alemã pelos ativos dos Correios, especialmente pela sua enorme capilaridade de distribuição de entregas de correspondências e encomendas nas cidades do Brasil.
E, ainda que a DHL não tenha confirmado oficialmente na ocasião, o então ministro das Comunicações, Fábio Faria, chegou a citar, durante uma live em 2020, a DHL e mais outras empresas interessadas, como Amazon, Magazine Luiza e FedEx.
Hoje, o cenário é outro para a companhia. Agora, o plano é de avançar no volume de lojas no Brasil. Parte do capex será usado justamente para ampliar as unidades físicas. Hoje com 39 lojas e previsão de 45 até o fim do ano, o objetivo é de alcançar 75 até 2030.
A executiva da DHL reconhece que a decisão da concorrente FedEx, anunciada no início do ano, de deixar o mercado local, também abre mais oportunidades de desenvolvimento de crescimento geográfico e, principalmente, de infraestrutura para a empresa.
“Não posso dizer dos problemas dos concorrentes, mas há necessidade de crescimento da demanda no Brasil. É necessário que haja empresas que consigam atender essa necessidade. E é aí que a gente entra”, afirma Mirele.
“Há um mercado enorme no país, com uma dimensão continental. Apesar de todos os desafios, o mercado brasileiro está em expansão. Isso abre espaço para várias empresas atuarem no País”, complementa.
Uma parcela representativa dos recursos aportados na operação brasileira será usada na ampliação do atual centro de distribuição da empresa, que fica na cidade de São Paulo. O centro logístico da DHL, responsável pela etapa do last mile das entregas, tem hoje uma capacidade de três mil peças por hora. A ideia é dobrar os volumes operados no país até 2028.
Com as unidades físicas e mais 17 filiais próprias – que são minicentros de coleta –, a companhia hoje consegue atender a demanda de cerca de 3,3 mil cidades brasileiras, que correspondem a cerca de 90% do Produto Interno Bruto (PIB).
O plano de expansão passa pelo crescimento geográfico no Sudeste, Sul e Nordeste, em especial com serviços de e-commerce e do setor bancário. “Precisamos estar mais próximos das pessoas e dos negócios. Por isso também estamos olhando para pequenas e microempresas”, explica.
Mesmo com o plano de crescimento posto e já em fase de execução, Mirele admite que há grandes desafios para o desenvolvimento da DHL no Brasil, como questões regulatórias, tributárias e até de malha logística.
“Há um Custo-Brasil grande para operar no País. Não é fácil. Também há problemas de infraestrutura. Estamos alguns anos atrasados em relação à infraestrutura de transporte, seja rodoviária, aérea ou marítima”, afirma. “Se eu não tenho essa conexão rápida, isso nos atrapalha.”
Como a companhia opera na importação, exportação e na entrega de cargas dentro do país, o impacto da falta de política pública local no avanço de estrutura logística vira um gargalo importante para a empresa. Em volumetria, as remessas domésticas são as mais representativas.
Mesmo com o planejamento de melhoria da operação de entregas domésticas, o executivo da DHL vê a tarifação global do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como um componente extra que afetou parte da entrega de cargas recebidas do exterior para o Brasil.
“Com isso, o volume despencou. Por isso que a gente precisa se adaptar e estar pronto para todas as situações. A gente pode perder de um lado, mas estar conectado com esta demanda, e ganhar de outro”, explica o CEO da DHL Express.
Segundo Mirele, o fim da taxa das blusinhas, que extinguiu a cobrança de 20% sobre as compras estrangeiras de até US$ 50, não causou impacto representativo para a companhia, já que a maior parte das remessas da DHL é de produtos de maior valor agregado, ao contrário das compras dos portais asiáticos.
Nesta linha, o avanço do volume de venda das canetas emagrecedoras no Brasil é visto pela companhia como uma oportunidade significativa de receita, principalmente no formato B2B.
“Faz sentido a entrega de um produto com um valor extremamente elevado, com transporte refrigerado e um monitoramento de ponta a ponta. Isso inclui também remessas de estudos clínicos. Neste sentido, a indústria farmacêutica é um player importante.”
Presente hoje em 220 países, a unidade brasileira está entre as 30 principais operações globais da DHL Express. E, no plano de investimento, integra o grupo dos 20 países prioritários em que a empresa enxerga oportunidades de crescimento.
Na Bolsa de Frankfurt, as ações da companhia alemã acumularam valorização de 18%. Em 12 meses, a alta é de 33%. A DHL tem valor de mercado de € 63,8 bilhões.




