As bebidas energéticas superaram pela primeira vez o café como fonte primária de cafeína entre os jovens nos Estados Unidos. E cresceram em preferência em todos os recortes etários de consumidores, inclusive os mais velhos — um movimento que pode estar ligado à crescente busca por produtos de baixa caloria.
As conclusões são de um estudo do Citi Research. Segundo o trabalho, a fatia dos consumidores americanos entre 16 e 24 anos que relatam preferir energéticos para consumir cafeína chegou a 31%, um aumento relevante em relação aos 21% do ano passado. Já a fatia que cita o café como fonte preferida de cafeína caiu de 40% para 27%.
Segundo o Citi, essa transformação está conectada à oferta crescente de opções zero açúcar. “Tanto Euromonitor quanto Nielsen mostram que o aumento nas bebidas energéticas é puxado por opções de açúcar reduzido ou zero”, diz o estudo. Os energéticos “light” já respondem por 45% das vendas nos EUA, ante 37% em 2021 e 14% em 2011.
Em 2025, o mercado de energéticos cresceu 12% nos EUA na base anual, segundo o Citi, que vê um aumento de 10% no acumulado de 2026 até julho, puxado principalmente por inovações.
“Nossa análise corrobora a perspectiva otimista de longo prazo”, diz o Citi. As médias dos últimos dois anos, segue o banco, “têm acelerado, no embalo de contribuições inovadoras, como versões ‘açúcar zero’, e do aumento do consumo entre as mulheres”, o que o banco credita parcialmente à crescente oferta de sabores.
Outros vetores de crescimento incluem, segundo o Citi, novas versões voltadas para desempenho funcional e estilo de vida; ganhos de espaço nas gôndolas, frutos da crescente redução do gap de preços com os refrigerantes; e migração de outras categorias.
O banco mantém recomendação de compra para as ações das fabricantes Monster e Celsius, “que têm a maior exposição à categoria de bebidas energéticas”, e da Keurig Dr Pepper, marca de refrigerantes com um crescente portfólio de energéticos.
Segundo dados da Euromonitor citados pelo Citi, os maiores mercados de energéticos fora dos EUA são China (com 10,5% do mercado global), Alemanha (4,8%), Reino Unido (4,6%), Japão (3,8%) e Brasil (3%).
Por aqui, Vinicius Estrela, diretor executivo da BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais), diz reconhecer uma tendência de substituição do café pelo energético como fonte de cafeína, mas afirma que essa onda afeta menos os cafés especiais.
“Não há competição direta, porque a função do café especial não é só de manter acordado, está ligada à experiência e à indulgência”, afirmou ao The AgriBiz.
Estrela traça paralelo com outros produtos nos quais a sofisticação do consumo se repete, como chocolates, cervejas e carnes. “O café mantém acordado? Sim. Dá energia? Sim. Mas, assim como não basta mais o chocolate ser doce, nem a cerveja ser gelada, hoje o café é uma fonte de prazer.”
Mudança também entre os maduros
Segundo a pesquisa, quem migrou para os energéticos largou principalmente o café (45%), enquanto 30% disseram ter deixado o refrigerante, e 10%, o chá.
Nos recortes mais maduros, a preferência pelo energético também subiu, ainda que em ritmo um pouco menor. Para respondentes entre 25 e 34 anos, a escolha por “energy drinks” subiu de 19% em 2025 para 24%. No mesmo grupo, a predileção pelo café é citada por 40% dos 2,4 mil entrevistados, com uma queda de dez pontos percentuais.
Entre consumidores de 35 a 44 anos, a preferência pelo café se manteve estável em torno de 44%. Mas, mesmo nesse público, o energético ganhou força e cresceu de 16,8% para 23,6% — nesse caso, quem perdeu aficionados foi o chá.
O único segmento em que o café cresceu em predileção como fonte de cafeína foi entre os mais velhos, acima de 55 anos, no qual atingiu 60%, ante 58% em 2025. Ainda assim, o energético subiu de 8% para 12% das respostas no grupo — nesse caso, sugando consumidores do refrigerante.
Somando todas as idades, a escolha pelos energéticos como fonte de cafeína chegou a 24%, contra 17% em 2025, enquanto o café é opção de 41%, ante 47% na edição passada do estudo.
Vale notar que não há uma disputa por matérias-primas, uma vez que a cafeína usada nos energéticos não advém do café. Segundo um especialista atuante no mercado de bebidas no Brasil, a maior parte do estimulante usado nesses produtos é sintética, ou seja, criada em laboratório — a molécula é a mesma, mas a absorção pelo organismo é mais rápida. Também há energéticos que usam cafeína extraída de fontes naturais, mas, nesse caso, a preferida é o extrato de guaraná.




