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O Inter iniciou suas operações na Argentina em 8 de setembro, utilizando a infraestrutura do Grupo BIND para oferecer serviços financeiros, como contas em dólares e investimentos no mercado americano. A escolha da Argentina se deve à busca local por proteção em dólar, em resposta à inflação e volatilidade cambial. O modelo adotado é o “asset-light”, permitindo que o Inter conecte a movimentação em pesos com ativos internacionais sem construir uma operação bancária completa.
A oferta inicial inclui conta global em dólares, cartão de débito, transferências internacionais e acesso a ações, ETFs e títulos do Tesouro dos EUA. A parceria com o Grupo BIND facilita a operação sob as regras locais, enquanto a Inter Securities gerencia os investimentos. O desempenho na Argentina servirá como teste para a expansão do Inter em outros mercados latino-americanos, embora a empresa ainda não tenha definido metas ou próximos destinos.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O Inter escolheu a relação histórica dos argentinos com o dólar como porta de entrada em seu primeiro mercado latino-americano fora do Brasil. O banco iniciou oficialmente sua operação na Argentina na terça-feira, 8 de setembro, com uma plataforma que permite adicionar recursos em pesos e acessar uma conta em dólares, além de investir no mercado americano.
A estreia coloca em prática um movimento antecipado ao NeoFeed em março do ano passado. Em vez de montar uma operação bancária completa desde o início, o Inter adotou um modelo asset-light, semelhante ao utilizado em sua chegada aos Estados Unidos, apoiado na infraestrutura de uma instituição local.
Na Argentina, esse papel caberá ao Grupo BIND. Por meio de um CVU — a identificação usada para contas virtuais no sistema financeiro argentino —, os clientes poderão adicionar pesos ao aplicativo do Inter e acessar os serviços internacionais oferecidos pela companhia.
A oferta inicial inclui a conta global em dólares com cartão de débito, transferências internacionais, eSIM e gift cards. O cliente também poderá investir nos Estados Unidos por meio da Inter Securities, com acesso a ações, ETFs e títulos do Tesouro americano.
O recorte da operação mostra que, ao menos inicialmente, o Inter não pretende reproduzir na Argentina todo o portfólio que oferece no Brasil. A companhia entra por uma demanda específica do mercado local: a busca dos argentinos por proteção em dólar e diversificação internacional.
“Muitos argentinos buscam manter recursos em dólares e diversificar seus portfólios em mercados globais. Nosso objetivo é facilitar esse acesso por meio de uma experiência digital e transparente”, afirmou João Vitor Menin, CEO Global do Inter, em nota.
A parceria também reduz a necessidade de o Inter construir do zero sua infraestrutura regulatória e operacional no país. Segundo informações do BIND, o grupo processa transações de mais de 70% das carteiras digitais argentinas, alcançando mais de 20 milhões de usuários.
Os serviços locais serão prestados por empresas do Grupo BIND, sob as regras do Banco Central da República Argentina e da Comisión Nacional de Valores. Já as operações de investimento nos Estados Unidos ficarão sob responsabilidade da Inter Securities. As duas instituições permanecem juridicamente independentes.
A escolha da Argentina como primeira parada regional está relacionada à disseminação do dólar na vida financeira da população, resultado de décadas de inflação e volatilidade cambial. É nesse comportamento que o Inter pretende apoiar sua proposta de conectar, em um mesmo aplicativo, a movimentação local em pesos e o acesso a ativos internacionais.
“A Argentina será o projeto-piloto para o nosso modelo de plug and play do Inter”, disse Menin ao NeoFeed, no ano passado, ao anunciar os planos de expansão para o país. O CEO afirmou, na ocasião, que avaliava outros mercados, mas não detalhou os possíveis destinos.
Santiago Stel, CFO do Inter e country manager na Argentina, está à frente do lançamento. “Com nossa Conta Global de Investimentos, os argentinos poderão investir nos Estados Unidos de uma maneira muito mais simples, diretamente pelo celular”, afirmou também em nota.
O Inter conta atualmente com mais de 45 milhões de clientes globalmente. A companhia não informou metas de usuários, volume de investimentos, aportes na operação argentina ou prazo para ampliar o portfólio local.
Nos passos da concorrência
O avanço na Argentina insere o Inter em um movimento mais amplo de internacionalização das principais plataformas financeiras digitais latino-americanas. Cada companhia, porém, está seguindo um modelo diferente de expansão.
Nascido na Argentina, o Mercado Pago construiu a presença regional mais distribuída entre os grandes concorrentes digitais. O braço financeiro do Mercado Livre informa ter 88 milhões de clientes ativos na América Latina, com operações em oito países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru, Uruguai e Venezuela. O Brasil é hoje seu maior mercado.
O Nubank concentrou sua expansão latino-americana em três operações próprias. Além dos 139 milhões de clientes no Brasil, a instituição soma 15,8 milhões no México e 5 milhões na Colômbia. Nos Estados Unidos, recebeu em janeiro deste ano uma aprovação inicial para constituir um banco nacional, mas ainda depende de outras autorizações regulatórias antes de iniciar a operação.
O Inter está construindo um terceiro caminho. Depois de entrar nos Estados Unidos em 2021, o banco pretende usar a infraestrutura americana como base para oferecer produtos internacionais em outros países da região. A operação argentina testa justamente esse modelo: em vez de solicitar, desde o início, uma licença bancária completa e montar toda a estrutura local, a companhia se conecta a um parceiro regulado no país.
O desempenho na Argentina ajudará a mostrar se essa arquitetura pode acelerar a chegada do Inter a outros mercados latino-americanos. Por enquanto, a companhia não informou quais serão os próximos países nem estabeleceu metas de clientes, volume de investimentos ou receitas para a nova operação.
Na Nasdaq, a ação do Inter acumula 33,7% de queda no ano. O valor de mercado do banco é de US$ 2,5 bilhões.




