Setembro mal chegou a sua metade e já é o mês mais chuvoso desde o início das medições na capital paulista. Foram pouco mais de 253 milímetros, batendo os 243mm registrados em 1983, outro ano de El Niño. A climatologia da cidade é de 83mm.
O interessante, aliás, é que os cinco meses de setembro mais chuvosos da história foram influenciados pelo El Niño: 2026, 1983, 1993, 2015 e 2009.
Nesta semana, a medição da anomalia de temperatura da superfície do Pacífico Equatorial Central feita pela NOAA (Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA) alcançou 2°C, classificando o atual fenômeno como muito intenso. O boletim da NOAA, inclusive, informa que há 75% de chance deste El Niño ser o mais intenso desde 1950, quando tiveram início as medições de forma contínua.
Voltando às chuvas dos últimos dias, a precipitação registrada também foi intensa no litoral paulista, vales do Paraíba e Ribeira e na região de Bragança Paulista, além do estado do Rio de Janeiro. A repercussão será vista nas próximas semanas no mercado de hortifrúti, com possível piora da qualidade das hortaliças e aumento de preços.
Nas commodities, destacamos a paralisação da colheita do trigo no Paraná e a primeira quantificação oficial de danos pelo Deral, com o aparecimento de 3% das áreas instaladas em condições ruins. No Rio Grande do Sul, o boletim de 10 de setembro da Emater não trouxe números sobre eventuais perdas no trigo pelas geadas do início do mês.
Safra de verão
O plantio da primeira safra de milho avança no Brasil com quase 18% das áreas instaladas, segundo a Conab. O Rio Grande do Sul já plantou mais da metade das áreas destinadas ao cereal, apesar do excesso de umidade no solo.
Em Mato Grosso, a chuva forte registrada em Campo Novo do Parecis, Diamantino e Brasnorte permitiram o início do plantio da soja mesmo em áreas de sequeiro. A maior parte de Mato Grosso, porém, aguarda a regularização das precipitações para iniciar a semeadura, de acordo com o Imea-MT.
Previsão do tempo
Até quinta-feira (17), há potencial para granizo em áreas de café do sul de Minas, Zona da Mata, Cerrado Mineiro, sul do Espírito Santo e Alta Mogiana Paulista. Na última terça-feira (14), as tempestades de gelo atingiram os municípios de Três Corações, Varginha e Três Pontas, mas ainda não há levantamento sobre danos nos cafezais.
A partir de sexta-feira (18), os temporais retornam ao Sul e prosseguem até pelo menos meados da semana que vem. O acumulado passa facilmente dos 100mm no centro e sul do Paraná, em Santa Catarina e no norte e oeste do Rio Grande do Sul, paralisando as atividades de manutenção e colheita das culturas de inverno, além do plantio da soja e da primeira safra de milho.
A temperatura permanece baixa e a incidência de doenças fúngicas aumenta ainda mais no campo. As geadas, no entanto, ficam restritas à Campanha Gaúcha e Serra Geral na próxima quarta-feira (23), fazendo com que não haja aumento de danos no trigo e risco de replantio de milho.
Nesses últimos dias de inverno, também será registrada chuva acima do normal no sul de Mato Grosso do Sul, oeste, centro e sul de São Paulo, Espírito Santo e na Zona da Mata de Minas Gerais. Por outro lado, chove menos que o normal em Mato Grosso, impedindo a aceleração do plantio de soja em todo o estado.
A primavera começa em 22 de setembro, às 21h05 de Brasília. No início da nova estação, a chuva mais intensa irá migrar do Paraná ao Rio Grande do Sul, permitindo que produtores paranaenses, de São Paulo e de Mato Grosso do Sul finalmente tenham mais dias ensolarados, quentes e com condições para aceleração de atividades como a colheita da cana de açúcar, finalização da colheita do milho safrinha e plantio de soja e milho. Já os gaúchos terão que esperar um pouco mais para acelerar os trabalhos de campo.
No primeiro decêndio de outubro, a chuva forte deve espalhar por boa parte das regiões Sudeste e Centro-Oeste e favorecer o início ou aceleração do plantio de soja.




