Viajar na Europa no próximo ano vai ficar mais caro – especificamente, 20% mais caro, segundo o CEO da Ryanair, Michael O’Leary, que prevê o “maior aumento da história” no preço das passagens no Velho Continente para 2027.
Com a alta do petróleo depois da guerra no Oriente Médio, O’Leary disse que nem mesmo este aumento de 20% nas passagens será suficiente para cobrir a conta de combustível, indicando uma redução nas margens de lucro das companhias.
O motivo para a previsão negativa é o hedge das empresas contra a alta do petróleo – ou a falta dele. Segundo O’Leary, a maior parte das aéreas europeias tem pouca proteção contra o petróleo em 2027. A Ryanair, a maior low cost da Europa, está 85% exposta no próximo ano.
Antes da guerra, que começou no fim de fevereiro, a empresa tinha um hedge de 80% a US$ 67 o barril até março de 2027. De abril em diante, só 15% está protegido, a US$ 85 o barril.
O preço do querosene de aviação mais que dobrou desde que o Estreito de Ormuz foi fechado pelo Irã em retaliação aos ataques dos EUA. O Brent está sendo negociado hoje a US$ 111.
O’Leary disse que a Ryanair seguirá lucrativa mesmo com a alta do petróleo, ainda que em patamares menores do que em anos anteriores.
Ele também prevê uma menor oferta de rotas e assentos no mercado entre o final deste ano e metade de 2027, com falências e aquisições entre as concorrentes.
A Air Baltic e a espanhola Volotea são as mais recentes aéreas a passar por uma reestruturação. A Lufthansa venceu a Air France-KLM na disputa por uma fatia da portuguesa TAP, e a Apollo Global Management prepara a compra da EasyJet.
A alta do petróleo afetou a ação da Ryanair, que acumula queda de 25% este ano. Caso a companhia mantenha a trajetória atual, deve ter seu pior ano desde 2018.
Outro fator que afeta os negócios da Ryanair são os aumentos de impostos em países europeus.
Na Bélgica, a Ryanair vai cortar 20 rotas e mais de 1 milhão de assentos do país no final deste ano por conta de uma alta de € 2 para € 7 na taxa de aviação cobrada por passageiro transportado. Na França, a empresa também disse que vai reduzir sua presença.
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