A integração entre segurança física e digital, a governança de dados e os novos desafios trazidos pela inteligência artificial dominaram os debates do painel “Além dos Bits: Protegendo a Essência Física e Digital da Informação”, realizado nesta quarta-feira, 29, durante o Fórum Telebras Conecta, em Brasília, organizado pela Network Eventos.
Auditor de controle externo do Tribunal de Contas do Distrito Federal, Alexandro de Paula destacou que segurança física e lógica são conceitos distintos, mas indissociáveis na prática. Para ilustrar, citou situações cotidianas, como o abandono de documentos em papel ou de computadores desbloqueados, que configuram falhas em níveis diferentes de proteção. Segundo ele, a legislação recente, especialmente a Lei Geral de Proteção de Dados, eliminou a separação de responsabilidades entre vazamentos físicos e digitais, impondo o mesmo grau de responsabilidade às organizações em ambos os casos.
O auditor também enfatizou o princípio da minimização de dados, defendendo que instituições coletem apenas o estritamente necessário para suas atividades. “Quanto mais informação você tem, maior a responsabilidade”, afirmou, ao destacar que o tratamento dos dados deve sempre gerar benefício proporcional ao titular ou à finalidade pública.
Na mesma linha, Alessandro Queiroz alertou para a visão ainda limitada de muitas organizações sobre a guarda de documentos digitais. Segundo ele, tratar dados apenas como backup de TI é insuficiente diante das exigências atuais. O executivo defendeu a adoção de políticas de preservação digital baseadas em normas arquivísticas e na manutenção da cadeia de custódia ao longo do tempo. “Sem um ambiente adequado e regras específicas, a instituição pode perder não apenas o documento, mas sua própria história”, disse, ao destacar a importância de infraestruturas seguras, como data centers de alta resiliência.
A crescente sofisticação das ameaças cibernéticas e o papel das identidades digitais foram abordados por Vitor Brixi. Ele ressaltou que a segurança começa pela conscientização dos usuários, com práticas básicas como evitar exposição de senhas, mas evolui para desafios mais complexos com a expansão da inteligência artificial. Segundo o executivo, além de identidades humanas e sistemas automatizados, surgem agora “identidades quase humanas”, representadas por agentes de IA capazes de interagir e tomar decisões. Nesse cenário, afirmou, o uso da própria inteligência artificial torna-se indispensável para defesa contra ataques cada vez mais rápidos e automatizados.
Já Miquéias Adson chamou atenção para a necessidade de priorização de dados com base na atividade de cada organização. Ele destacou que setores como saúde lidam com informações altamente sensíveis, como prontuários, muitas vezes ainda em formato físico, o que amplia os riscos de segurança. O executivo relatou casos em que soluções baseadas em inteligência artificial são utilizadas para monitorar o acesso físico a áreas críticas, como arquivos de documentos, combinando vigilância tradicional com análise comportamental.
Adson também alertou para os riscos do uso indiscriminado de ferramentas de inteligência artificial populares no ambiente corporativo. Segundo ele, o compartilhamento de dados sensíveis com plataformas externas pode comprometer a governança da informação. “O ponto mais vulnerável continua sendo o usuário”, afirmou, ao defender que organizações desenvolvam ambientes próprios e seguros para uso dessas tecnologias.




