Quase um ano e meio depois de levantar R$ 20 milhões com a Angra Partners, a Promip está expandindo a sua capacidade de produção de insumos biológicos, reforçando a aposta da companhia na construção da maior plataforma de defensivos a partir da multiplicação de vírus.
Enquanto boa parte dos players de biológicos se ancora na produção a partir da bactérias e fungos, a Promip se diferenciou com um processo produtivo complexo de replicar.
Fundada pela dupla de entomologistas Marcelo Poletti e Roberto Konno, a Promip utiliza a lagarta — um inseto com características canibais — como um “biorreator natural” para a multiplicação do baculovírus que, ao fim do processo, é comercializado em pó como bioinseticida para combater a temida lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda).
Com uma abordagem comercial focada no B2B, a Promip atende a clientes como Bayer, Syngenta e Biotrop. O modelo bem-sucedido é o que vem permitindo à companhia liderada por Poletti crescer e investir em P&D.
Foi nesse contexto que a Promip construiu um segundo módulo na biofábrica localizada em Engenheiro Coelho, município que fica na região metropolitana de Campinas.
Em entrevista ao The AgriBiz, Poletti disse que a expansão vai permitir à Promip atender 6 milhões de hectares. Para efeitos didáticos, o cálculo considera apenas uma aplicação de bioinseticida por safra.
A ambição do empreendedor é bem maior. A Promip já começou a trabalhar na construção de um terceiro módulo da fábrica. “Queremos chegar a 12 milhões de hectares”, disse Poletti em alusão à área tratada com biológicos produzidos pela Promip.
Para chegar a esse número, a companhia quer ir além das vendas do baculovírus já usado contra a lagarta-do-cartucho, praga que afeta especialmente as lavouras de milho.
Com pesquisas que envolveram a bioprospecção de novos vírus, a Promip planeja lançar dois novos bioinseticidas em 2027, atacando outras espécies de lagartas importantes no cultivo de soja.
Segundo Poletti, os próximos lançamentos devem ser bioinseticidas para o combate à lagarta falsa medideira (Chrysodeixis includens) e à Helicoverpa armigera. Com isso, a Promip busca oferecer uma solução biológica contra a resistência das pragas às bioecologias de soja transgênica.




