A decisão da São Martinho de segurar as vendas de açúcar e etanol para tentar capturar uma recuperação dos preços no fim da safra 2026/27 — de 1º de abril a 31 de março — vai derrubar os resultados do grupo sucroalcooleiro no trimestre que se encerrou em junho.
Em um relatório enviado a clientes, os analistas Gabriel Barra e Pedro Gama, do Citi, projetaram “números mais baixos” para a São Martinho. A dupla estimou uma queda de 36% no Ebitda, na comparação com o mesmo período do ano anterior, para R$ 513 milhões.
No relatório, o Citi lembrou que a São Martinho “possui capacidade relevante de tancagem de etanol”, o que poderia ser uma vantagem. No entanto, o banco não vê grandes chances de alta nos preços no curto prazo em razão do “enorme excedente” de etanol no mercado interno.
Nem mesmo a entrada em vigor do E32, que aumentou a mistura do biocombustível na gasolina de 30% para 32%, pode ser suficiente. Embora ajude a reduzir o excedente de etanol, a manutenção do subsídio federal à gasolina tende a manter os preços estáveis, escreveram os analistas do Citi.
Nesse ambiente, os analistas mantiveram a recomendação neutra para ações da São Martinho (SMTO3), com um preço-alvo de R$ 16 — 7,6% acima da atual cotação, de R$ 14,86.
Nas contas do Citi, o grupo sucroalcooleiro trabalha com um fluxo de caixa livre recorrente baixo, entre zero e 3% nas safras 2026/27 e 2027/28.
O investimento no etanol de milho
Além disso, os investimentos da São Martinho na expansão da produção de etanol de milho consomem caixa no curto prazo, aumentando o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda da companhia). A redução do Ebitda também contribuiu para o aumento do indicador.
A São Martinho está investindo R$ 1,1 bilhão para ampliar a capacidade de produção de etanol de milho em Quirinópolis (GO). O valor inclui a construção de um armazém de milho com capacidade de 240 mil toneladas e melhorias na capacidade de geração de energia. E o projeto vai exigir ainda R$ 230 milhões em capital de giro.
Com previsão de conclusão no segundo semestre de 2027, a planta vai adicionar 270 mil metros cúbicos de etanol de milho por ano em capacidade, totalizando 485 mil metros cúbicos do biocombustível por ano.
Apesar das pressões de curto prazo, a São Martinho chega à pior fase do ciclo do açúcar com uma estrutura de capital confortável, o que permite investimentos na ampliação da produção de etanol de milho.
Em 31 de março, último dado disponível, o índice de alavancagem era de apenas 1,41 vez. A companhia reportou R$ 4,2 bilhões em caixa, e uma dívida bruta de pouco mais de R$ 9 bilhões.
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Listada na B3, a São Martinho está avaliada em R$ 4,7 bilhões. Em 12 meses, o papel acumula queda de 12,8%, um reflexo da queda dos preços do açúcar no mercado internacional.




