A história da parceria entre Sony e Ericsson começa no final dos anos de 1990, quando a empresa sueca vivia um momento delicado, de prejuízos acumulados. A pioneira fabricante de tecnologia móvel viu o mercado de celulares ficar mais difícil, com a chegada de novos concorrentes, enquanto os seus aparelhos perdiam valor. A situação era tão ruim que investidores pressionavam pela venda da divisão e Kurt Hellstrom, presidente e CEO da companhia desde 1999, resolveu ouvir parcialmente o conselho.
Durante um ano, Hellstrom conduziu negociações com a Sony para fundir a divisão com a companhia japonesa, que também enfrentava dificuldades para conquistar espaço no mercado de celulares. A lógica era simples: a Sony tinha ampla experiência em produtos de consumo e entretenimento, enquanto a Ericsson se destacava em redes e telefonia. Essa complementaridade levou à criação da Sony Ericsson Mobile Communications, em abril de 2001.
Na época, a estratégia foi bem recebida pelos investidores, embora alguns ainda questionassem se a medida seria suficiente para reverter a situação da Ericsson. Juntas, as empresas detinham apenas 9% do mercado móvel. Além disso, em 2000, ambas haviam vendido cerca de 50 milhões de celulares, com faturamento de aproximadamente US$ 7,2 bilhões.
Para Hellstrom, porém, tratava-se de “uma combinação perfeita”. “A Sony traz vasta experiência em eletrônicos de consumo e entretenimento — música, imagens e jogos — e a Ericsson contribui com sua liderança em tecnologia móvel e a maior base de clientes do mundo entre as operadoras de telefonia móvel. Esta é a parceria ideal para o crescente mercado de 3G e internet móvel”, afirmou em comunicado oficial da Sony.
A Sony Ericsson
No novo negócio, cada fabricante teria 50% das ações e juntas deveriam combinar suas tecnologias para a criação de um aparelho multimídia. O processo operacional foi iniciado com 3,5 mil pessoas envolvidas de EUA, Japão e Reino Unido, onde escolheram Londres para ser a sede. Durante os três primeiros anos, a empresa teve dificuldades. Em 2002, ela conseguiu vender quase 400 milhões de celulares, mas assim como no primeiro ano, fechou no vermelho e precisou receber uma injeção de capital de 300 milhões de euros de Ericsson e Sony em 2003.
A situação a partir de então começou a melhorar. Naquele mesmo ano, a companhia lançou o T610, definido pela própria Ericsson como “um divisor de águas”. O aparelho foi a concretização da proposta da joint venture. Tinha tela colorida, bluetooth e recursos multimídia, competindo com pequenas câmeras digitais e tocadores de música, como o iPod. Dali em diante, a Sony Ericsson começou a crescer, com outros modelos fazendo sucesso, como o Walkman phone (W800) e o K800 Cyber-shot. Em 2007, a empresa registrava 103 milhões de aparelhos vendidos e lucro de 1,35 bilhão de euros.
X1 foi o ponto final
No ano seguinte, a empresa lançou o Xperia, conhecido por X1, em meio a grandes expectativas, que não foram correspondidas. Segundo a Ericsson, ele foi o primeiro dispositivo a contar com o sistema Windows Mobile e apresentou diversos bugs, o que arruinou de vez a possibilidade de competir com o iPhone e aparelhos Android.

Sony Xperia X1. Reprodução/Wikipedia.
Em 2011, a Ericsson resolveu por fim à joint venture, que passou a ser integralmente controlada pela Sony por pouco mais de 1 bilhão de euros. A empresa afirmou que “não via mais sinergia em operar tanto na área de tecnologia de telecomunicações quanto no mercado de telefonia móvel para o consumidor”, diante do salto tecnológico que ocorreu ao longo da década anterior. Algo que não compartilhado pela Sony, que deseja integrar suas soluções cada vez mais com os smartphones.
Imagem: T610 da Sony Ericsson. Reprodução/Ericsson.




