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O programa Desenrola 3.0, anunciado pelo governo Lula, visa renegociar dívidas de consumidores e deve beneficiar o Mercado Pago, segundo o Citi.
A medida, que envolve a compra de dívidas inadimplentes pelo governo, destina R$ 15 bilhões para ajudar cerca de 15 milhões de pessoas com débitos de até R$ 10 mil.
O Citi acredita que isso pode aumentar o acesso ao crédito para consumidores de baixa renda, permitindo que o Mercado Pago capture clientes anteriormente restritos.
Apesar disso, a fintech pode enfrentar desafios na aquisição de clientes e na oferta de crédito. O Desenrola 3.0 é visto como um impulso ao consumo, ajudando consumidores a saírem da inadimplência e se tornarem elegíveis para novos produtos financeiros.
O Mercado Livre também está expandindo sua operação no Brasil, com um crescimento significativo em sua carteira de crédito e receita líquida.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O programa Desenrola 3.0, nova fase da medida do governo federal para renegociar dívidas de consumidores, anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira, 25 de setembro, deve beneficiar diretamente o Mercado Pago, fintech do Mercado Livre, segundo o Citi.
Criado por medida provisória (MP) a uma semana do primeiro turno da eleição presidencial, o plano prevê a compra, pelo governo federal, de carteiras de dívidas inadimplentes por meio de leilões. O modelo é diferente das fases anteriores do Desenrola, em que União apenas facilitava as negociações com descontos.
Estão elegíveis os débitos bancários e não bancários de até R$ 10 mil por pessoa e que estejam atrasados entre 720 (quase dois anos) e 1.645 dias (quatro anos e meio).
A estimativa do governo é desembolsar R$ 150 bilhões para cerca de 15 milhões de pessoas, com descontos de até 90%. Para isso, serão reservados R$ 15 bilhões em recursos públicos.
“Vemos o pacote como potencialmente favorável ao consumo brasileiro, principalmente entre os consumidores de baixa renda. O Desenrola 3.0 deve ajudar famílias com alto nível de inadimplência a restabelecer gradualmente o acesso ao crédito”, diz o relatório assinado pelos analistas João Pedro Soares e Felipe Husein.
Segundo o banco, o alívio financeiro dos consumidores no Brasil pode impulsionar a busca por mais crédito. Neste sentido, o Mercado Pago pode capturar parte deste público, que estava com restrição bancária e sem opções de financiamentos.
“Para o Mercado Livre, a melhoria no balanço patrimonial dos consumidores pode impulsionar o desempenho do crédito e potencialmente expandir a base de tomadores elegíveis, embora sua exposição à população-alvo possa ser mais limitada, dada sua base de clientes de renda relativamente mais alta”, afirma o Citi.
Na prática, o novo Desenrola é visto pelo banco como uma ponte para o avanço do consumo no Brasil. Inicialmente, a medida vai ajudar estes consumidores a sair de uma situação de inadimplência prolongada. Depois, esses clientes voltam a ser “vistos” e passam a ser elegíveis para novos produtos financeiros.
Mas os analistas apontam um desafio para esta captura direta: “como credor digital, o Mercado Pago pode enfrentar maior escrutínio em relação à aquisição de clientes, ofertas de crédito automatizadas e padrões de conduta ao longo do tempo.”
Por outro lado, ainda segundo os analistas do Citi, o Desenrola 3.0 não deve gerar nenhuma mudança representativa no ritmo de concessão de crédito das três principais companhias do varejo de moda no Brasil: Lojas Renner, Riachuelo e C&A.
O movimento feito pelo governo Lula ocorre justamente em um momento de expansão do volume da fintech do Mercado Livre.
A carteira de crédito da companhia alcançou US$ 16,4 bilhões no fim de junho, um avanço de 75% no acumulado de 12 meses. No período, o saldo de cartões de crédito alcançou a marca de US$ 7,7 bilhões. Ainda havia outros US$ 14 bilhões em limite de crédito pré-aprovado e que ainda não havia sido utilizado.
Na mesma linha de recuperação de crédito para o avanço do consumo e mais estímulo para o varejo, o Citi também aponta a outra medida provisória assinada por Lula na sexta-feira, 25, e que proibiu as bets no Brasil, como um caminho na recuperação do crédito.
Segundo apontaram os analistas, uma pesquisa realizada em julho indicava que 56% dos entrevistados apoiavam a proibição total. Do total, 29% citaram que as despesas que mais contribuíram para o endividamento foram gastos com supermercados, 28% em serviços públicos e 2% nas apostas online.
Neste sentido, o momento em que as medidas do governo de recuperação de crédito ocorrem quase que concomitante com os investimentos do Mercado Livre para ampliar sua operação no Brasil.
No segundo trimestre, a companhia afirmou ter destinado US$ 2,1 bilhões em sua expansão da carteira de crédito. No Brasil, a receita líquida do Mercado Pago cresceu 63% em 12 meses, com US$ 2,2 bilhões. O volume corresponde a metade da operação total da fintech, que alcançou US$ 4,4 bilhões, com alta de 47%.
Na Nasdaq, as ações MELI acumulam queda de 14,5% em 2026. Em 12 meses, a desvalorização é de 31%. O Mercado Livre tem valor de mercado de US$ 87,2 bilhões.




