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EXCLUSIVO: Justiça bloqueia bens de antigo braço de consignado da Fictor

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A Justiça de São Paulo bloqueou até R$ 2,25 milhões em bens da 3RP Consignado, a antiga Fictor Consignado, de outras quatro empresas do braço de consignado e cartões que ficaram fora da recuperação judicial do Grupo Fictor e de Rafael Gois, Luiz Rubini e Rafael Paixão. Para o juiz, as empresas formam um “grupo econômico de fato desenhado para absorver atividades operacionais e ativos”.

O negócio de consignado passou para Paixão, ex-executivo do grupo, em novembro de 2024, sem preço declarado na Junta Comercial. No Imposto de Renda, ele registra as quotas por R$ 156,1 milhões e uma dívida de igual valor com a FCT Partners, holding controlada por ele mesmo, sem nenhum pagamento.

Em 2025, Paixão passou a dever R$ 33,9 milhões à holding. Sem renda tributável, comprou dois apartamentos e um Porsche. Em gravação de janeiro, ele diz que a venda da carteira de consignado renderia R$ 650 milhões para pagar investidores.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de até R$ 2,25 milhões em bens da 3RP Consignado, a antiga Fictor Consignado, e de outras quatro empresas do braço de crédito consignado e cartões que ficaram fora da recuperação judicial do Grupo Fictor. A lista inclui a FCT Partners (hoje 3RP Partners), Vem Benefícios, Alvo Card e a EI Card.

De acordo com documentos obtidos pelo NeoFeed, o pedido foi feito por um investidor que aplicou R$ 2,25 milhões em quatro contratos de Sociedade em Conta de Participação (SCP) da Fictor Invest. Os contratos tinham promessa de rendimento fixo de 1,49% a 2% ao mês, mas o investidor não recebeu de volta o capital aplicado.

Em decisão de 19 de outubro, o juiz Fabio Evangelista de Moura, da 45ª Vara Cível do Foro Central, afirma que as empresas do braço de consignado formam um “nítido grupo econômico de fato desenhado para absorver atividades operacionais e ativos”.

Para o juiz, as SCPs funcionavam, na prática, como contratos de investimento coletivo sem registro na CVM. Por isso, ele aplicou o Código de Defesa do Consumidor e a desconsideração da personalidade jurídica. O bloqueio também atingiu, de forma solidária, Rafael Gois, CEO da Fictor, Luiz Rubini, sócio do grupo, e Rafael Paixão Ferreira Giuseppe, ex-executivo do grupo.

A ordem inclui bloqueio contínuo de contas por 30 dias, restrição de veículos e indisponibilidade de imóveis em São Paulo, Praia Grande e Atibaia (SP). Cabe recurso.

Na ação, o advogado Vitor Gomes Rodrigues de Mello, que representa o investidor, afirma que a estrutura societária do grupo “foi desenhada para blindar o patrimônio nas demais empresas”, deixando à Fictor Invest “apenas o passivo”. Segundo ele, depois do pedido de recuperação judicial, a empresa de consignado, “estrategicamente excluída”, passou a operar por meio das marcas Vem Benefícios, Alvo Card e EI Card.

Não é a primeira decisão desse tipo contra o braço de consignado. Em outra ação de investidor, a Justiça de Blumenau (SC) já havia determinado o bloqueio de contas da então FCT Consignado, da FCT Partners, da Vem e da Alvo. A Vem recorreu, mas o Tribunal de Justiça de Santa Catarina negou, em agosto, o pedido para suspender a medida.

Antes de a Fictor Invest e a Fictor Holding pedirem recuperação judicial, em fevereiro de 2026, com passivo estimado em R$ 4,3 bilhões, o negócio de consignado passou, em novembro de 2024, para o nome de Paixão.

A transferência não teve preço declarado. No ato registrado na Junta Comercial de São Paulo, a Fictor Holding cede a Paixão todas as quotas da Fictor Consignado e dá quitação, sem mencionar valor.

Já na declaração de Imposto de Renda de 2026, anexada ao processo ao qual o NeoFeed teve acesso, Paixão registra as quotas por R$ 156,1 milhões e, no mesmo valor, uma dívida “pela aquisição” da empresa. A dívida não é com a Fictor, e sim com a FCT Partners, companhia controlada pelo próprio Paixão. Segundo a declaração, nada foi pago em 2025. Em maio daquele ano, ele repassou a Fictor Consignado, já rebatizada de FCT Consignado, à FCT Partners, e as quotas e a dívida saíram juntas do seu IR.

A FCT Partners funciona como a holding do braço de consignado. Foi criada em novembro de 2023 como FCT Consultoria e tinha como sócios Paixão, Gois e Rubini. Rubini saiu em maio de 2024, e Gois cedeu sua parte a Paixão em dezembro daquele ano, um mês depois da transferência da Fictor Consignado. Abaixo da holding, a empresa de consignado tem ou teve participação em operadoras de cartão como a Vem e a EI Card.

Em fevereiro de 2026, duas semanas depois do pedido de recuperação judicial, as duas empresas mudaram de nome outra vez. Passaram a se chamar 3RP Consignado e 3RP Partners e transferiram a sede para Niterói (RJ).

As operadoras de cartão ligadas à estrutura vendem a servidores públicos crédito descontado em folha de pagamento. Somadas, declaram em seus sites convênios com dezenas de estados e municípios. Como o NeoFeed revelou em 1º de outubro, elas continuaram fechando acordos com prefeituras mesmo depois do pedido de recuperação judicial do grupo.

Carteira de R$ 650 milhões?

Em reunião interna na sede da Fictor, em 21 de janeiro de 2026, menos de duas semanas antes do pedido de recuperação judicial, Paixão apresentou o consignado como uma das saídas para pagar os investidores do grupo, que já enfrentavam atrasos nos resgates.

“Se eu só vender a carteira de consignado, volta R$ 650 milhões”, disse, segundo gravação do encontro obtida pelo NeoFeed. Na mesma conversa, afirmou que havia “pessoas ajudando a gente a vender alguns ativos, tanto consignado como empresas”, e que os investidores das SCPs poderiam receber como garantia cotas “de um fundo de consignado, precatório”.

Naquele momento, a empresa de consignado já estava fora da Fictor havia mais de um ano: passou para o nome de Paixão em novembro de 2024 e, em maio de 2025, para o da FCT Partners.

A mesma declaração de Imposto de Renda mostra que, em 2025, Paixão passou a dever R$ 33,9 milhões à 3RP Partners, a holding que controla a empresa de consignado. No fim de 2024 não havia dívida com a companhia, e o documento não informa a origem do valor.

Paixão não declarou nenhum rendimento tributável em 2025, apenas R$ 510 mil de aplicações financeiras e R$ 1 em dividendos da Singular Card, uma das operadoras de cartão parceiras da Fictor Consignado. Mesmo assim, comprou dois apartamentos em São Paulo, de R$ 3,2 milhões e R$ 1,1 milhão, ambos entre os imóveis bloqueados pela decisão, e um Porsche Cayenne Turbo S de R$ 1 milhão. Com a nova dívida, o patrimônio líquido declarado por ele ficou negativo em R$ 21,6 milhões.

Procurados, a 3RP, Rafael Paixão e a Fictor não responderam até a publicação desta reportagem.



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