Pesquisadores da Universidade de Missouri, dos Estados Unidos, desenvolveram um método para prevenir o silenciamento de genes em galinhas, superando um dos principais desafios da engenharia genética avícola e aproximando a possibilidade de rebanhos resistentes a doenças, como a influenza aviária altamente patogênica (IAAP), da realidade comercial.
Em entrevista ao Portal Wattagnet, Kiho Lee, professor da Faculdade de Agricultura, Alimentos e Recursos Naturais da instituição, disse que o estudo enfrenta um obstáculo recorrente: a tendência das células de reconhecerem e desativarem sequências genéticas consideradas estranhas após sua introdução. “Se tentarmos expressar um gene que não nos pertence, as células o reconhecem como estranho e tentam desativá-lo”, afirmou.
O silenciamento gênico também compromete a transmissão de características entre gerações. Em galinhas geneticamente modificadas, os benefícios de um novo gene podem não ser transferidos de forma consistente para a prole e tendem a enfraquecer ao longo do tempo, dificultando a formação de linhagens estáveis e comercialmente viáveis.
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A estratégia proposta pelos pesquisadores consiste em posicionar o gene de interesse ao lado de um gene essencial já presente no genoma do animal. Como a célula dificilmente silencia um gene crítico para sua própria função, o gene inserido permanece ativo.
Para validar o método, a equipe introduziu um marcador genético que emitia brilho verde sob determinada luz em células de galinha. O sinal foi mantido mesmo após sucessivas divisões celulares, indicando que não houve silenciamento.
Os resultados foram publicados na revista Poultry Science e, segundo os pesquisadores, podem ter aplicações além da avicultura. A técnica pode contribuir, por exemplo, para o desenvolvimento de aves capazes de produzir, em seus ovos, proteínas de interesse para a medicina humana.
Com o sistema validado, a equipe agora trabalha na inserção de genes em cromossomos sexuais, com o objetivo de permitir a expressão específica por sexo. A iniciativa pode trazer ganhos de eficiência tanto na produção de poedeiras quanto de frangos de corte.
Segundo Lee, a chegada de aves geneticamente modificadas ao mercado comercial é uma possibilidade concreta. Ele destaca que produtos geneticamente modificados de outras espécies já foram aprovados para consumo humano pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA). A aceitação do consumidor, no entanto, deve ser determinante para o avanço dessa tecnologia.
Fonte: Wattagnet




